Estudo de caso: A Pochete.
22. January. 2009 por Salomão Valadão
Arquivado em Ultimos Posts, É bom ser homem

Em artigo anterior, abordei o Movimento Feminino Perverso (MFP), idéia abstrata de difícil entendimento. É mais ou menos como a Matrix: você só percebe a sua existência quando escapa dela. Pela dificuldade de explicar o conceito, talvez seja mais fácil pesquisar casos onde a influência do MFP ficou evidente – e poucas oportunidades expuseram tanto o nefasto movimento quanto o histórico fenômeno da extinção do uso da pochete.
Até o início dos anos 70, as mulheres tinham uma grande vantagem sobre os homens: usavam bolsas para carregarem seus badulaques. Nós, homens, entulhávamos os bolsos de nossas calças sociais, paletós e até das camisas (estas, com o maço de cigarros, a carteira de trabalho e o pente Flamengo). Com o advento das calças jeans, a coisa piorou – os bolsos eram menores e mais apertados. Aboliu-se o uso do paletó, disseminou-se a camiseta e perdemos mais alguns compartimentos para colocarmos o isqueiro, as chaves, documentos, lenço, canetas, carteira, canivete, talão de cheques, cartões de visita, óculos, etc – coisas comuns de se carregar à época.
A década de 70 trouxe uma esperança: a revolução hippie incorporou a bolsa na indumentária masculina. Mas a coisa não pegou bem. Além dos cabelos compridos, sandálias de couro e outros adereços originariamente femininos, uma bolsa a tiracolo nos deixava perigosamente parecidos com uma mulher. Para piorar, as mulheres hippies pararam de tomar banho e se tornaram mais parecidas com os homens, aumentando a confusão. A fim de se diferenciarem das mulheres, os adeptos da paz e do amor deixaram as barbas crescerem. Em resposta, as mulheres pararam de se depilar. E assim, por excesso de pelos, o movimento hippie chegou ao fim e as guerras continuam até os dias de hoje.
O fato era que a idéia de homem usar bolsa era ruim. Ainda nos anos 70, apareceu uma bolseta* diferenciada para o homem: a capanga – uma espécie de nécessaire munida de uma alça para levá-la no pulso. Além de ridícula, não era prática e foi responsável pela perda de muitos documentos e dinheiro, graças ao esquecimento constante dela pelos homens nos lugares que frequentavam. A idéia naufragou titanicamente.
Foi no final dos anos 70 que algum pesquisador (e não um estilista) adaptou um objeto que vinha de tempos antigos e solucionou de vez o problema, criando a pochete. O que o homem quer é manter os seus apetrechos à mão e de maneira que ele não os esqueça nos lugares onde vai. Carregar suas coisas na cintura sempre foi uma prerrogativa masculina. Ícones de macheza usaram formas primitivas ou especializadas de pochete: os caubóis e suas cartucheiras; os espadachins e suas bainhas; os mercadores medievais e suas bolsas de moedas de ouro presas ao cinto e até mesmo o Batman (o original de Bob Kane e não o Batiman-Feira-da-Fruta interpretado pelo Adam West), com o seu cinto de utilidades.
A pochete resolveu um problemão. De repente, tudo que você precisava estava ali, à mão. Haviam modelos variados, grandes e pequenos, com muitos ou poucos compartimentos e, qualquer que fosse a sua necessidade, você certamente encontrava algum adequado. Vazios, os bolsos das calças podiam enfim ser usados para se colocar aquilo para o qual eles foram originariamente idealizados: as mãos.
Infelizmente, esta não é uma história com final feliz. Para poder entender melhor o que aconteceu, é preciso falar um pouco sobre o MFP. A função primordial do maquiavélico movimento é manter os homens sob controle, subjugados. Para isso ele atua em diversas frentes: costumes, relacionamento, ciência, beleza, arte, cultura, etc. Quando o homem conseguiu se igualar às mulheres no que tange à capacidade de levar suas coisas consigo, elas orquestradamente reagiram, recusando-se a dar para quem ostentasse uma pochete na cintura. Foi um golpe baixo, primorosamente aplicado por todas as mulheres simultaneamente. Logo, em todos os lugares e mídias, se veiculava a idéia de que pochete era feio, pochete era brega, pochete era a encarnação do caramulhão na face da Terra. O suposto asco pelo artefato se espalhou pelas mulheres como rastilho de pólvora. Homem que usa pochete não pode comer ninguém – está condenado à punheta eterna.
O mais incrível é que os próprios homens foram contaminados pela ideologia antipochete. Logo, todos eles começaram a achar o acessório “cafona” e, aos poucos, foram deixando de usá-lo. Provando o quanto o MFP é poderoso, começaram a esquecer que um dia a portaram satisfeitos à cintura. Se você tem menos de 35 anos, já cresceu com a mente contaminada pelo antipochetismo, mas se tem mais, provavelmente está no grupo que sofreu a lavagem cerebral do MFP na época. Busque no fundo de sua memória, no umbral do inconsciente, e poderá se lembrar que um dia, num passado translúcido, você viveu momentos felizes, caminhando com as mãos nos bolsos e transportando seus objetos pessoais na cintura.
E assim, amigos, O MFP pôs fim a uma das melhores invenções que a humanidade já criou para o homem. Fomos obrigados a voltar a espremer as coisas em nossos bolsos. Agravando a situação, incorporamos telefone celular, pendrive, palmtop, ipod e câmera digital, aparelhos que, nos idos 70, pertenciam ao campo da ficção científica.
Seria o caso de começar um movimento pela volta das pochetes? Acho que não – seria uma batalha perdida, graças à nossa fragilidade frente às mulheres – elas podem ficar muito mais tempo sem sexo do que nós (em média, um homem adulto consegue conservar a sua lucidez por até 42 dias sem transar; mulheres não possuem lucidez, podendo ficar sem sexo indefinidamente).
Mas ainda temos uma última esperança. Do jeito que a coisa vai, muito em breve homens heterossexuais serão extremamente raros em nosso planeta. Neste dia, um homem portando uma pochete será identificado imediatamente como heterossexual genuíno e será disputado por mulheres desesperadas, que lhe oferecerão sexo em abundância em troca de furos na parede, trocas de pneus e assassinatos de baratas.
* Clássica piada ginasial: “O diminutivo de mala é maleta. Então, qual é o diminutivo de bolsa? E de punho?”
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Apêndice:
Pega no meu post e paga um pau!
Comentários comentados
ARTIGO: Como ser Homem – A escolha do mictório público adequado.
Pedro Nunes disse: A recomendação de nunca falar com estranhos é a mais importante. Já fui abordado mijando e é profundamente desagradável.
Salomão Valadão responde: Isto nunca me aconteceu. Eu fico imaginando como é que alguém puxa assunto nesta situação. “O tempo tá mudando, hein!”; “Mijar é bom pra caralho, né?”; “Puxa, o seu fluxo está MA-RA-VI-LHO-SO”
Wil disse: Vale a pena frisar que existe pelo menos uma mulher no mundo (e por motivos pessoais prefiro me abster de dizer quem é) que acredita que os homens deveriam abaixar a calça para mijar!!!
LuAn disse @Wil: Caraca velho… quem seria essa louca que diz uma sandice dessas?? ó_o
Salomão Valadão responde: Como disse o Jaime Alves em seu artigo “A Sinceridade”, “mulher, por default, fala muita bobabem“. Vamos ilustrar a situação para termos idéia do tamanho do absurdo:
O que seria isso? Doutor Manhattan replicando a si mesmo para mijar mais rápido? Cerimônia alternativa de entrega do Oscar? Faz o seguinte: imprime e manda pra ela por SEDEX.
LuAn disse: Por via das dúvidas sempre adoto a postura “cego, surdo e invisível” além de associar com a estratégia da bexiga Schumacher.
Salomão Valadão responde: Isto demonstra que as diretrizes básicas fazem parte do instinto heterossexual masculino. É um conhecimento inato.
HomemPedra disse: Invisível? NUNCA! Alguém pode te encoxar!
Salomão Valadão responde: Esclarecendo, antes que as pessoas façam bobagem: não é para ficar invisível de verdade.
ARTIGO: Como ser Homem – O uso da palavra “maravilhoso” por homens heterossexuais.
Yuri disse: Este texto ficou maravilhoso.
Pedro Nunes disse: E digo mais: MA-RA-VI-LHO-SO!
Salomão Valadão responde: Jaime, é melhor rever o quadro de colunistas deste site.
Satanás disse: Eu troco pela palavra espetacular… é bem mais machona!
Salomão Valadão responde: Este é um bom tema para o futuro: quais as palavras que podem substituir aquelas que devem ser evitadas? “Espetacular” é uma boa pedida (imagine um programa de TV chamado “Esporte Maravilhoso”…).
Angela disse: Eu concordo. E agora ficou mais perigoso ainda com a história do MARA…
Salomão Valadão responde: Sim, abreviar a palavra reveladora, ao contrário de amenizá-la, amplifica o seu poder, tornando-a superlativa. Sobre isso, está programado para o futuro um artigo sobre a GCGM (não me perguntem ainda do que se trata), que revela a origem deste tipo de coisa e muitas outras.
Mulher disse:
Valadão,
Texto legal, mas com todo respeito, acho que deveria ter menos exceções.
“O passe do Edmundo pro Rogério foi maravilhoso!” pega muito mal…
O que costumo ouvir dos “machos” por aí é:
“Caraaaaalho, o passe do Edmundo pro Rogério foi fooooda!!!!”
Ah, e quanto ao creme de aspargos…
A frase clássica: “Dona Felisberta, este creme de aspargos está ótimo! Lembra o da minha mãe!”
No geral, sugiro substituir maravilhoso por ótimo ou excelente (sem puxar o “leeeente”). Que a exceção seja apenas para os peitos da Fernanda e a Fender.
Salomão Valadão responde: Mulher, à primeira vista você parece ter razão, mas, como de costume, vocês mulheres não tem. Há alguns detalhes que lhe escaparam. Quando um homem diz “Caraaaaalho, o passe do Edmundo pro Rogério foi fooooda!!!!”, geralmente está vendo o jogo (no estádio ou na TV), é uma reação espontânea de alguém levado pela emoção do momento. Mas é preciso colocar a frase original no contexto correto: quando comentamos os jogos no boteco, tomando uma cerveja, não temos essa emoção toda. Pelo texto é difícil imaginar a entonação. Impondo a voz de forma masculina e agressiva, em volume superior às outras pessoas falando, é perfeitamente aceitável a frase “O passe do Edmundo pro Rogério foi maravilhoso!”. Pega mal não.
Quanto à frase “Dona Felisberta, este creme de aspargos está ótimo! Lembra o da minha mãe!”, acho que há um sério equívoco. “Ótimo” não tem o apelo da palavra esquisita. Se você disser “Este creme de aspargos está ótimo!”, vai conseguir, no máximo, uma mãe de gostosa satisfeita com o seu comentário. Mas se utilizar a frase como citada no texto original, terá dela o aval – quase um apelo – para comer a sua filha. Mas não é aí que está o equívoco e sim na frase seguinte: se você disser que o creme dela lembra o da sua mãe, esquece… Evite compará-la à sua mãe. O máximo que você pode fazer é comparar a sua mãe a ela: “Toda vez que minha mãe fizer creme de aspargos novamente, eu vou lembrar do da senhora e ficar com saudades”.
Quanto à Fender e aos peitos da Fernanda, concordamos. Aliás, você conhece a Fernanda?
ARTIGO: MFP – O Movimento Feminino Perverso
LuAn disse: Então amigos do “H.O.M.E.M.org” Uní-vos contra o MFP, e quem sabe num futuro próximo consigamos instruir e salvar nossa classe de uma vez por todas desse perverso movimento.
Salomão Valadão responde: Tornar-se ileso ao MFP só é possível através de um trabalho individual. É preciso autoconhecimento e conscientização, se livrar de idéias pré-concebidas e “consensuais” ligadas ao politicamente correto. Faz-se necessário um trabalho de interiorização para perceber a si mesmo e ter o insight de o quanto o MFP está limitando as suas ações. Quando isso acontece, é libertador; é como o final do primeiro filme da trilogia Matrix: você detem as balas no ar e pode voar!

