Menos é Mais
24. November. 2008 por Salomão Valadão
Arquivado em Ficção Verdadeira, Verdades
É com muitos bons olhos que verifico este site masculino surgindo na internet. Não digo isso da boca para fora, e sim por acreditar que, embora pareça ser apenas mais um site do gênero, não será como tantos outros. O projeto me parece realmente voltado para o homem másculo, não o hétero de hoje em dia. É para o cara que não usa hidratantes após o banho, não faz peeling (o que quer que isso seja – nem sei se é assim que se escreve), não tem medo de barata, não gosta de “As Pontes de Madison” (shame on you, Clint!), não chora em público (aliás, homem não chora, ok?) e come mulher feia com desenvoltura.
A maioria das revistas e sites masculinos não são exatamente másculos. É isso que espero que este site seja: masculino, másculo e maiúsculo, pois não se encontra facilmente na rede um texto com o vigor das antigas. Quem sabe não se torne um oásis para nós, da minoria máscula.
Digo minoria máscula sabendo do que estou falando. Quem chama a comunidade gay de minoria, das três, uma: está enganado, está enganando ou não sabe fazer contas. Posso não ser um instituto de pesquisas, mas fazendo um cálculo aproximado, encontramos números surpreendentes. Acompanhe o meu raciocínio:
Por praticidade, vamos nos ater ao público homossexual masculino. Tomemos como universo a maior cidade do Brasil. Estima-se que em 2008, a parada gay de São Paulo levou três milhões de pessoas à avenida Paulista. 3.000.000! Ok, nem todos eram gays, nem todos eram homens, nem todos eram da cidade, nem todos eram adultos… – então vamos fazer estimativas baseadas em nosso chutômetro modelo SV-2008, abastecido com dados e impressões de pessoas que estiveram no evento.
Boa parte das pessoas presentes não era de São Paulo. O chutômetro mostra que eram aproximadamente 20% (acho o número um pouco elevado, afinal não acredito que havia um forasteiro em cada 5 pessoas. Enfim…). Seriam então 600.000 pessoas de fora.
Isso faz com que permaneçam 2.400.000 paulistanos na avenida. Alguns eram menores de 16 anos. Não que eu ache que a pessoa só se descobre gay após a esta idade, mas, para fazermos a conta final onde apenas consideraremos o universo dos paulistanos do sexo masculino maiores de 16 anos, devemos subtrair os que estão abaixo desta faixa etária. O SV-2008 calcula que havia cerca de 10% de menores de 16 anos por ali – 240.000 moleques de São Paulo. Sobram então 2.160.000.
Parte considerável destes não era realmente gay – e eu não consigo compreender o que estavam fazendo ali! Ok, mas quantos? Mais uma vez, o SV-2008 nos mostra a porcentagem de 10%. Sobram então 1.944.000.
Apesar de existirem praticamente o mesmo número de pessoas de cada sexo no mundo, quem esteve na parada garante que haviam muito mais gays do sexo masculino do que do feminino. Entre as pessoas gays, paulistanas, maiores de 16 anos que estavam presentes no evento, nosso chutômetro calcula que cerca de 35% eram mulheres.
Pronto. Chegamos ao primeiro número que nos interessa: 1.263.600 pessoas do sexo masculino, paulistanos, gays e maiores de 16 anos estavam na parada gay da cidade de São Paulo em 2008.
Agora precisamos considerar que nem todos os paulistanos gays foram à parada. Existe um universo grande deles que ainda não quis ou não pôde sair do armário – e este número é muito maior do que podemos imaginar! Neste ponto eu e o chutômetro SV-2008 chegamos a um acôrdo: apenas metade dos gays de São Paulo estavam no evento. Mas, como sei que é um dado chocante e a população não está preparada para aceitar este fato, vamos considerar que apenas 40% dos gays de São Paulo não foram á parada neste ano, ou seja, 842.400. Isto nos faz chegar ao segundo número que nos interessa: a quantidade de gays do sexo masculino e maiores de 16 anos que moram na cidade de São Paulo é de 2.106.000 indivíduos (calculando por baixo, segundo o SV-2008 e minhas estimativas).
E qual é o total de homens maiores de 16 anos que vivem na cidade de São Paulo? Segundo o site do TRE, existiam 8.198.282 de paulistanos aptos a votarem em São Paulo nas eleições de 2008. Metade destes são mulheres, o que nos faz chegar ao terceiro número que nos interessa: 4.099.141. Agora é só fazer a divisão:
2.106.000 / 4.099.141 = 0,51
Ou seja, pelos nossos cálculos, mais de 50% dos homens paulistanos maiores de 16 anos são gays. A cada 2 homens, um é gay! 51%. Este é um momento histórico – fomos ultrapassados!
É preciso reconhecer que a comunidade gay tem importância fundamental na sociedade atual, ocupando espaço em todas as áreas: profissional, cultural, religiosa, social, etc. O que não se esperava é que já fossem maioria entre os homens. É por isso que reivindico aqui o direito de chamar a minha turma de minoria máscula ou minoria hetero. E, ao mesmo tempo que parabenizo a comunidade gay pelos espaços conquistados, me solidarizo com as mulheres heterossexuais pela situação desfavorável que estão vivenciando e me coloco à disposição para ajudá-las a atravessar este momento difícil, oferecendo-lhes o meu email para eventuais auxílios que eu possa prestar: salomaovaladao@homem.org
Salomão Valadão.

