Sexo com amor

23. December. 2008 por Eduardo S  

amor-ou-sexo

Conforme meus amigos e eu vamos ficando mais velhos, mais freqüentemente tenho escutado a frase “Ah, meus 20 anos”. Confesso que nunca entendi esse clima de saudosismo. Hoje tenho uma vida muito melhor e como muito mais gente do que naquele período. Então, do que eles têm tanta saudade?

Outro dia mesmo, num papo desses, puxado no boteco, junto com uma molecada mais nova, me lembrei de uma história dos meus 20 anos e da qual não me orgulho em nada. Para mim, ela é o exemplo perfeito que não adianta estarmos no ápice da forma física, sem a técnica e a tática necessárias. Entre uma cerveja e outra, contei como conheci uma garota chamada Cinthia, num encontro de estudantes. Essas ocasiões só existiam para mim com duas finalidades: viajar por preços módicos e pegação (não necessariamente nessa ordem). Na época tinha até um lema, “Conheça o Brasil com o movimento estudantil”.

- Naquela viagem para Belo Horizonte, fui surpreendido logo na chegada. Cara, não tenho frescura alguma com alojamentos, mas esse era um puta lugar, muito acima da média das salas de aula em que eu costumava dormir. Na hora até tive vontade de ligar para a namorada e falar como eu gostaria que ela estivesse ali para curtir aquele lugar comigo. Como bom filho da puta, acabei não telefonando e saindo para o bar que ficava anexo ao prédio.

Dentre várias candidatas a ‘Miss Delícia’ do encontro, elegi a ruivinha. Olhos verdes, decote mostrando as sardinhas nos seios e uma boca carnuda, que me deixou maluco desde o momento que a vi. Era a Cinthia. Ela estava sozinha no balcão, disse que esperava uma amiga que estava preparando uma oficina de surto artístico (?!?!).

Quando ela me contou aquilo, não contive o riso. Mas ao invés de se ofender pela amiga, ela apenas comentou “oficineiros não pagam o encontro”, também sorrindo. Era o sinal que eu precisava. Dali em diante a aproximação ficou bem mais fácil. Só que para o meu azar, a tal amiga chegou em seguida e ela teve que acompanhá-la. Tentei convencê-la de todas as formas a ficar mais tempo. Mas ela acabou me dando só um beijo e o telefone, dizendo “me liga amanhã”.

“Porra, que gala fraca”, disse o Abel, que estava comigo no bar. Tive que concordar com ele e adiantar que o pior estava por vir.

- Cara, passei o dia seguinte inteiro desconcertado, desconcentrado, sei lá, com a cabeça naquela mulher. Se normalmente eu já cagava solenemente pras palestras e reuniões da executiva, naquele dia então, nem se fala. Cheguei a cogitar ir na tal oficina, mas a pouca vergonha que eu ainda tinha e a cachaça com a galera me impediram.

De noite liguei, claro. Assim que ela atendeu, disse “Vamos nos encontrar”. Nem era uma pergunta, afirmei mesmo, com uma convicção que ela comentou que era muito interessante. Cara, fiquei com ela e foi sensacional. A mulher era gata, divertida, inteligente.

“Era a mulher perfeita!”, retrucou o Geraldo, debochando como de hábito.

- Claro que não. Não era perfeita. Sabe qual era o defeito? Bem grave: era pudica demais. Travada. Freio de mão puxado! Sabe por quê? No meio da madrugada, chapados, a gente foi até o alojamento dela e ficamos de amassos. A coisa foi esquentando, esquentando e ela, de repente, levanta e fala, com cara de assustada: “Você é ótimo, mas eu não acredito em sexo sem amor!”.

Ora, eu não ia perder a piada, aí respondi: “MAS EU TE AMO, GATA!”.

“Boa! Aí ela te deu!?”, perguntaram todos, com certeza que a resposta seria sim.

- Cara, acredita que ela se enfezou, me mandou embora e nunca mais falou comigo?

- Porra, que mal humorada!

 

Commentários

10 reclamando! do artigo “Sexo com amor”
  1. Michele says:

    Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk esse foi o melhor texto que li até agora, vc disse o defeito da menina era ser travada e o outro ainda chamou a pobre de mal humorada, já parou pra pensar que talvez o amasso não tenha sido bom pra ela? que vc talvez estivesse com bafo, ou muito bebado pra transar? vai ver ela só soltou essa como desculpa, e tem outra se ela tivesse dado pra vc, agora com certeza ao invés de dizer que ela era travada vc estaria dizendo que ela era uma vadia que te deu num encontro de estudantes…

  2. Eduardo S. says:

    Michele, o nome da seção é Ficção Verdadeira. São historinhas para divertir narradas sob a perspectiva masculina. Lembra-se da URL desse site? :)
    De qualquer modo, se ela tivesse dado para o cara, a história não existiria! hehehe

  3. Priscilla says:

    Eu teria dado!!! E tb não teria ligado pro meu namorado!!! rs rs rs

  4. Su says:

    É, mais uma história que se aproxima da realidade… Mulheres perfeitas não existem. Se quiser uma garota perfeita, compre uma Barbie… Rsrsrs

  5. Pedro says:

    Mulher perfeita existe sim!! Ela faz um charme, DÁ e depois nega por aí pra não pegar mal com a galera…. mas são raras… a Cinthia é das q classificamos de “quase” perfeita, pena q foi no “grande finalle”… Bom texto!!

  6. LuAn says:

    Boa Campeão… ^^ Concordo que as piores coisas que existem são justamente esses “pudores pseudo-cristãos”. Tá certo, cada um faz o que quer do próprio corpo e da própria vida, mas daí a deixar de fazer uma coisa que realmente quer por puro “puritanismo” é demais pras “minhas cabeças”.

  7. Dona Bel says:

    “MAS EU TE AMO, GATA!”. Ri alto com isso!!

    Homens, homens…

  8. Fáti says:

    É por essas e outras que sempre digo… esses homens são todos iguais ..rsrsrs

    Mas mesmo assim,os adoramos ;)

    Excelente texto!!

  9. Drix says:

    haha.
    palhaçada dizer isso. mas é engraçado.
    sem falsos pudores, por favor.

  10. Milti says:

    -Caralho…
    HAHAHAHAHAHA
    Bem feito,
    claro que a mina
    não ia ficar contigo
    so por dizer que amava
    ela da boca pra fora!
    Fudeu. rs