Lições do papai
3. February. 2009 por Thiago
Arquivado em Ficção Verdadeira, Ultimos Posts

Nunca pensei que uma memória relacionada ao meu pai pudesse definir tanto meu comportamento com as mulheres. Acho que o ano era 1986. Ele adorava carros e minhas lembranças dele se confundem até hoje com os carangos que possuiu: os dois pumas Spider (amarelo e vermelho), o Dodge Charge RT, o Chevette cinza e o Santana vinho. Esse último foi, provavelmente, o único que ele havia comprado zero km e estava tirando aquela onda de coroa no carrão. Eu adorava aquele carro, aliás, toda a família. Saímos para almoçar, os quatro como sempre. Picanha no bar 810, maravilha! Porém no caminho, na esquina da Rua das Rosas, quando meu pai parou no sinal, o carro da frente veio dando ré devagarzinho e… cataplau! Silêncio de alguns segundos até que minha mãe estressada, viu através do vidro que era uma mulher que conduzia o carro “culpado”- Essa mulher é louca! – berrou olhando para meu pai com uma entonação de quem pede providências. Meu irmão e eu estávamos apreensivos, como crianças perdidas. Desce do carro a tal mulher, loira, de vestido solto no corpo até os joelhos, seios empinados, linda e nervosíssima. “Me desculpe senhor… ai… é que eu sou inexperiente e não vi… ai… me desculpa…” Meu pai nem saiu do carro para ver o dano. Olhou para ela e disse que “não era nada não”. Que poder! Até aquela data, qualquer um: filho, esposa, amigos, qualquer um que sequer arranhasse aquele carro seria partido em mil pedaços pelo meu coroa. Aquela mulher loira, de vestido solto no corpo até os joelhos, seios empinados, linda e nervosíssima poderia dominar o mundo. Foi a maior demonstração de poder que eu presenciara até então.
Enfim, toda a minha vida com o sexo oposto parece estar ligada a essa memória. Basta um sorriso, um decote, um beijo no canto da boca quando me cumprimentam despropositadamente, um shortinho no verão do Rio, um olhar desviado, a nuca descoberta, roupa de academia, enfim, qualquer coisa que elas façam tem o poder de me deixar embasbacado. O carro do papai foi a pedra fundamental da minha deliciosa escravidão aos caprichos das mulheres. Um brinde ao papai!


E que sejamos para sempre escravos!
Bar 810 na Rua das Rosas… A gente saia defumado com aquela fumaça da chapa da picanha, mas era muito bom. Se bem que quando a gente é criança, nem percebe essas coisas. heheh. A vida é assim mesmo. Outro dia bateram no carro de um amigo no estacionamento e quando chegamos lá a coroa se adiantou rapidinho dizendo que a culpada era a filha, uma loirinha linda demais!
Bem vindo ao mundo da coleira
…se o poder da mulher fosse só esse, hein?…
CUIDADO! ESTAMOS PERTO DE DOMINAR O MUNDO!!!
Camila, perto é um eufemismo (tema de um post futuro)
Não nos pergunte do que somos capazes…
Dê-nos uma meia arrastão.
(adaptado de um ditado militar)
teu blog é uma ma-ra-vi-lha, ops, maravilha.
uahuaahua
belo causo
desistiram daqui, é?