Interessante?
Homem só acha conversa de mulher interessante em duas hipóteses:
- Quando está apaixonado,
- Ou quando está conversando com uma amiga que conhece profundamente a literatura russa ou o cinema iraniano.
Na primeira opção o homem está completamente desprovido de qualquer senso prático, crítico, estético, filosófico ou seja lá o que for e já perdeu a noção de todas as coisas e dias e contas a pagar. Também passou a acreditar que o amor eterno não foi uma invenção francesa do final do século XI — ou início do século XII? Não importa. — e que uma criatura chamada Deus criou mesmo a vida e essa porcaria de universo. Como podem perceber, os franceses inventaram o amor eterno, o perfume e a champanhe. Só não inventaram a Disneylândia! Por muito pouco não ofereceram um passaporte completo para o mundo da fantasia. E Deus, que não estava apaixonado e não era francês, aparentemente entrou em desespero e criou “a vida e essa porcaria de universo” num momento de absoluto tédio ou falta de algo melhor para fazer. O que nos leva a segunda situação: conversar com uma amiga que conhece profundamente a literatura russa ou o cinema iraniano. O que resta para um homem em um sábado à noite, com chuva, sem nenhuma possibilidade de sexo, com preguiça ou sem paciência ou simplesmente abatido por uma repentina incapacidade de encontrar um programa melhor na televisão ou imaginar um outro universo? Conversar com uma amiga, claro!
Existe uma teoria que afirma que não existe possibilidade de amizade entre homens e mulheres, provocada por conflitos de interesses. Eu discordo. Esse tipo de teoria deve ter sido inventada na França no final do século XIII — ou início do século XIV? Não importa. — por um homem inseguro ou uma mulher muito feia. Pessoas resolvidas tem mais o que fazer do que ficar se comendo o tempo todo. É por isso que acredito que todo homem deveria ter duas mulheres na sua vida: 1) uma amante, por motivos óbvios e 2) uma amiga para aproveitar a companhia nos momentos desejados, as conversas em uma mesa de bar atravessando madrugadas, as datas de aniversários, viagens, a saudade ao telefone provocada pela distância, etc, etc, etc. Mas em hipótese alguma deve-se apaixonar por qualquer uma das duas. É frustração seguida de infelicidade e divórcio ou, para os acomodados, um relacionamento lentamente interminável sem sexo ou conversas interessantes. Um inferno, eu poderia afirmar se acreditasse em Deus ou no amor eterno ou levasse alguém para a cama em busca de conversas sobre a literatura russa ou o cinema iraniano.