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	<title>Homem.org&#187; Malucas</title>
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	<description>Onde os homens são homens.</description>
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  <title>Homem.org</title>
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		<title>Para os desafetos de plantão</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Dec 2008 00:55:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri</dc:creator>
				<category><![CDATA[Malucas]]></category>
		<category><![CDATA[Verdades]]></category>
		<category><![CDATA[Ex-namorada]]></category>
		<category><![CDATA[Ex-namorado]]></category>
		<category><![CDATA[Stalker]]></category>
		<category><![CDATA[Vacilo]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem nunca se pegou naquela situação bizarra de começar a sair com uma mulher e ter um psicopata ou uma louca no seu encalço por conta disso? As situações são várias, indo daquele antigo namorado ciumento a aquela ex sua em um repentino acesso de obsessão fatal. Mas não interessa, né? Em nenhum dos casos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="justify;">Quem nunca se pegou naquela situação bizarra de começar a sair com uma mulher e ter um psicopata ou uma louca no seu encalço por conta disso? As situações são várias, indo daquele antigo namorado ciumento a aquela ex sua em um repentino acesso de obsessão fatal. Mas não interessa, né? Em nenhum dos casos isso é bacana, mesmo se sua nova gata valer cada segundo do perrengue proporcionado por esses Kinder Ovos com Surpresa Macabra.</p>
<p style="justify;">(ou você já sabia onde estava pisando quando começou sua nova investida? Ihhh&#8230;)</p>
<p style="justify;">Às vezes essas malas-sem-alça precisam entender umas verdades. Que nem aquele japa maluco que ficou isolado em uma ilha durante a guerra e por isso não sabe que a parada já acabou faz tempo, é hora destes encararem a realidade. Se o lance anterior já acabou &#8211; e se os exemplos acima servem, é porque não foi bem você, alvo dessa picuinha maldita de outrem, quem vacilou na história) a parada é fazer que nem aquele aluno que não é nem o comedor de giz da frente da sala e nem o zoneiro lá do fundão: aprenda com seus erros e não os repita. Afinal de contas, a chance de seu relacionamento anterior ter ido pra Spica por conta de seus vacilos é beeeem grande&#8230;</p>
<p style="justify;">(Sério, aprenda <strong>mesmo</strong>, porque lidar com vocês é <em>chato pra caralho</em>. Ô racinha.)</p>
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		<title>Como reconhecer uma roubada.</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Dec 2008 03:48:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jaime Alves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Malucas]]></category>
		<category><![CDATA[Verdades]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[roubada]]></category>

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		<description><![CDATA[Para um bom observador, são muitos sinais os quais indicam que uma mulher é uma roubada. Antigamente, você só poderia enxergar esses sinais após interagir por um tempo com a dita-cuja e, em muitos casos já seria tarde demais quando você obtivesse essa informação, pois as suas bolas já estariam estariam no comando e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Para um bom observador, são muitos sinais os quais indicam que uma mulher é uma roubada. Antigamente, você só poderia enxergar esses sinais após interagir por um tempo com a dita-cuja e, em muitos casos já seria tarde demais quando você obtivesse essa informação, pois as suas bolas já estariam estariam no comando e o fato dela escrever cartas usando sangue de pombos não lhe pareceria tão estranho.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-183 aligncenter" title="Tenho 32 gatos, sou estudante de Psicologia,  fui uma grande imperatriz bizantina na minha vida passada  e sou Wicca desde criancinha!" src="http://homem.org/wp-content/uploads/2008/12/manu1.jpg" alt="" width="450" height="600" /></p>
<p style="text-align: center;">&#8220;<em>Tenho 32 gatos, sou estudante de Psicologia, fui uma grande imperatriz<br />
bizantina na minhavida passada  e sou Wicca desde criancinha!&#8221;<br />
</em></p>
<p>Mas graças aos avanços da cibernética e da oftalmologia gástrica, temos várias ferramentas de interação social a nossa disposição para uma pré-pesquisa, como o nosso bem conhecido Orkut, por exemplo.</p>
<p>Visitar o perfil da moça, ver suas fotos, ler os seus recados e testemunhos não lhe falam muita coisa, pois são informações que não lhe contam muito sobre ela e, pois quase sempre é apenas lista de elogios genéricos e babações de ovo.</p>
<p>O verdadeiro ouro se encontra nas comunidades que ela adicionou ao seu perfil. É lá que você encontrará pistas sobre o quão maluca é a guria que você deseja &#8220;conhecer&#8221; melhor.</p>
<p>Para facilitar a sua vida, essas comunidades são grandes sinalizadores de futuros problemas:</p>
<ul>
<li>Clarice Lispector</li>
<li>Psicologia</li>
<li>Gatos</li>
<li>Ecologia</li>
<li>Vidas Passadas</li>
<li>Espiritualismo</li>
<li>Cachorros e gatos de rua</li>
<li>Adote um Gatinho</li>
<li>Filhos de Gaia</li>
<li>Amigos dos Animais</li>
<li>Magos e Druidas</li>
<li>Wicca and Witchcraft</li>
<li>PETA</li>
<li>Clube do Gato do Brasil</li>
<li>Eu odeio galinhas!</li>
<li>Anjos</li>
<li>Vidas Passadas</li>
<li>Os bichos têm alma?</li>
</ul>
<p>Se a sua desejada faz parte de pelo menos três delas, sugiro a você diminuir seus esforços, pois essa ai, filhão, leva a sério o lance de ser maluca e você corre o risco de acordar no meio da noite com os seus genitais decepados dentro da sua boca!</p>
<p>P.S.: A foto da moça acima  é apenas para ilustrar o quão dificíl seria o embate entre o desejo e a sapiência! Não sei nada sobre ela, <span style="text-decoration: line-through;">apenas sei que é um fake do orkut</span>.  Acabei encontrando um fotolog como um monte de fotos da moça. Se alguém se interessar, peça nos comentários e eu o publicarei lá.</p>
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		<title>Homens que (se) dobram para mulheres</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 00:12:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Verdadeira]]></category>
		<category><![CDATA[Malucas]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de mais nada, deixa eu me apresentar, né? Eu me chamo Yuri, moro em uma das capitais do nosso Brasil varonil, e como meus convivas daqui curto as boas coisas da vida. Umas mais do que as outras, e quais eu prefiro vocês descobrem com o tempo &#8211; mas fica a dica que ótimas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="justify;">Antes de mais nada, deixa eu me apresentar, né? Eu me chamo Yuri, moro em uma das capitais do nosso Brasil varonil, e como meus convivas daqui curto as boas coisas da vida. Umas mais do que as outras, e quais eu prefiro vocês descobrem com o tempo &#8211; mas fica a dica que ótimas mulheres, boas bebidas e diversão garantida fazem meu mundo girar. Tem bem mais, mas fica pra próxima rodada.</p>
<p style="justify;">Eu tava pensando uma parada esses dias&#8230; às vezes, eu queria ter algum tipo de habilidade artística. Não, eu nem tô falando de paradas como &#8220;a arte da cantada&#8221;, &#8220;aquela entre quatro paredes&#8221;&#8230; bora parar de sacanagem por um instante só que seja? Beleza. Na boa: eu queria mesmo era saber fazer origami. E nem precisava ser muito não, um só já estava maneiro: o do gato.</p>
<p style="justify;">&#8220;<em>Ê, começou bem, hein?</em>&#8220;, já ouço meus comparsas de site falando. Espera que eu explico: quase todo dia pego o metrô pro trabalho &#8211; claro, desconta aí aquele dia em que acordei atrasado pra cacete por causa da biritagem desgovernada na noite anterior, ou seja lá qual atividade madrugada adentro, e aí rola aquela pressa ferrada de pegar o primeiro transporte público pro trabalho &#8211; e sempre tem aquela gata que você tenta tirar o olho e nem consegue.</p>
<p style="justify;">(hoje mesmo tinha uma que vou te contar, hein&#8230; magrinha &#8211; mas não demais &#8211; cabelo castanho quase claro, um bocão e dois olhões verdes&#8230; e aquela cara de ex-menina, saca? Daquelas que desviam o olhar se notam que estão sendo olhadas mais do que deveria&#8230;)</p>
<p style="justify;">Enfim, é nessas horas que eu queria poder sacar um desses já prontos da bolsa (porque até parece que em um trem empanturrado de gente ia rolar de sacar um papel, começar a fazer dobraduras, e por aí vai), dar pra ela e esperar algo do tipo:</p>
<p style="justify;"><em>- Que que é isso?</em></p>
<p style="justify;"><em>- É uma gata, que nem você. </em></p>
<p style="justify;">E aí eu explicaria que eu só dou essa pra mulheres que mereçam muito, como se fosse um pequeno e singelo troféu. Aí se ela duvidasse e resolvesse me revistar, ela não acharia mais nenhum &#8212; óbvio que eu ia carregar poucos comigo, né? Quem vocês acham que eu sou, o mestre Miyagi?</p>
<p style="justify;">Se bem que sei lá, hein? Na minha cabeça parecia muito melhor essa idéia toda dos origamis. Além de ser bem mais sutil do que, hã, um cartão de visitas com nome, sobrenome e telefone (vai que a gatinha do bocão do exemplo acima é uma stalker maluca?)&#8230; ou, ainda no reino das dobraduras, um aviãozinho de papel. Afinal, nem estamos mais no colégio &#8211; ainda bem, hein &#8211; e ainda periga pegar no nariz, orelha, ou &#8212; ó o vacilo supremo pintando &#8211; em um daqueles olhões lindos dela.</p>
<p style="justify;">Aí, bicho, nem se tu for médico ou oftalmologista tu se salva.</p>
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		<title>Hora do café</title>
		<link>http://homem.org/hora-do-cafe</link>
		<comments>http://homem.org/hora-do-cafe#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 08:42:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Verdadeira]]></category>
		<category><![CDATA[Malucas]]></category>
		<category><![CDATA[Verdades]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[sinceridade]]></category>

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		<description><![CDATA[- Um café, por favor.
E corrigiu:
- Um expresso!
Escolheu uma das mesinhas vazias, sentou-se mal e mal na banqueta. Sentia-se incomodado sobre aquela torre balançante, a base fina simplesmente não lhe inspirava confiança. Mantinha o pé esquerdo no chão, por via das dúvidas.
Tirou da pasta que trazia a tiracolo um jornal muito dobrado e pôs-se a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Um café, por favor.</p>
<p>E corrigiu:</p>
<p>- Um expresso!</p>
<p>Escolheu uma das mesinhas vazias, sentou-se mal e mal na banqueta. Sentia-se incomodado sobre aquela torre balançante, a base fina simplesmente não lhe inspirava confiança. Mantinha o pé esquerdo no chão, por via das dúvidas.<br />
Tirou da pasta que trazia a tiracolo um jornal muito dobrado e pôs-se a ler, cotovelo apoiado na mesa, queixo apoiado na mão, resmungando qualquer coisa de tempos em tempos. O café chegou. Ele agradeceu a moça que trouxe e voltou a atenção para o jornal. Sem tirar os olhos da folha, sacou do bolso da camisa um maço de cigarros, tirou um com a boca e, enquanto tateava as calças em busca do isqueiro, cruzou olhares com uma garçonete mais velha, que parecia ser responsável pelo lugar. Com o cigarro pendendo no canto da boca, fez cara de criança surpreendida no meio de qualquer arte. Perguntou, sem-jeito:</p>
<p>- Não pode, né?</p>
<p>Ela meneou a cabeça, ainda mais sem-jeito, talvez por ter que negar a um cliente um prazer que não incomodaria ninguém – o lugar estava praticamente vazio, havia apenas um casal numa mesa suficientemente afastada, que sequer parecia notar a presença do homem, e uma moça, também distante, que o observava com certa ansiedade.</p>
<p>- Não pode, moço, tem aquela lei que proíbe. Eu também fico doida por um cigarrinho entre um café e outro, mas fazer o quê? Se aparecer um fiscal aqui, é multa na hora.</p>
<p>Sorriram um para o outro com ar tristonho, como quem identifica um cúmplice que cumpre pena na cela ao lado. Ela voltou ao que quer que estivesse fazendo, ele deixou de procurar o isqueiro. O cigarro permaneceu na boca, como estava, apagado, meio caído, ameaçando jogar-se no café. Qual suicida que, diante da impossibilidade de cumprir seu destino, preferisse morrer.<br />
A moça, aquela que o analisava ansiosamente à distância, veio até ele. Chegando por trás, disse com uma voz que destilava o venenoso desprezo da mulher traída:</p>
<p>- Olha só quem resolveu aparecer!</p>
<p>Ele a olhou com surpresa. O cigarro efetivamente caiu, errou o café por pouco. Nenhum dos dois se deu conta do fato.</p>
<p>- Nossa, você por aqui! Quanto tempo! &#8211; e imediatamente repreendeu-se, pensando “Será que não tinha nada pior para dizer?”. Um segundo depois, entretanto, pareceu lembrar-se de todo o relacionamento que tiveram – das discussões, em particular. Seu rosto tomou um certo ar de segurança e enfado. O dela permaneceu fuzilando-o.<br />
- Ai, que lindo! Ele é irônico! Quanto tempo, como vai você?</p>
<p>Falou como quem encontra um grande amigo, perdido há eras. Ele achou por bem ignorar o tom sarcástico da voz dela, na tentativa de conduzir o papo para outra situação além da que se avizinhava, potencialmente catastrófica:</p>
<p>- Eu vou bem, obrigado. E você?</p>
<p>Não deu certo. Ela permaneceu séria, falando gravemente, salivando fel:</p>
<p>- É mesmo muita cara-de-pau da sua parte falar comigo como se não tivesse acontecido nada!</p>
<p>Olhou em volta, buscando ajuda. Não havia ninguém, teria que se defender sozinho. Ela continuou.</p>
<p>- Você não teve a decência de me ligar!<br />
- E por que eu teria que te ligar?<br />
- Não me surpreende que você não saiba.</p>
<p>Esse ataque ferino aos seus conhecimentos das normas de interação com membros do sexo oposto – cartilha que já deveria ter sido escrita há eras, embora seja pouco provável que alguém a seguisse, visto que as variáveis são elevadas à enésima potência – tornou-o subitamente ofendido, acabando com seu ar simpático e jogando-o numa posição de contra-ataque:</p>
<p>- Foi você que terminou comigo!<br />
- Por isso mesmo!</p>
<p>Coçou a testa, reprimiu um palavrão que chegou a sair pela metade: …taqueopariu! Para ele, aquilo não tinha muita lógica. Considerava que o dispensado não deveria tornar a ligar, essa era uma obrigação do dispensante, quer por caridade, quer por vaidade (a fim de verificar o estrago causado por sua decisão). Ela, entretanto, seguia outro tipo de regra:</p>
<p>- E você não foi homem suficiente pra aceitar.<br />
- Como assim, não aceitei? Aceitei perfeitamente bem. Você disse “fim”, eu pensei “certo, então é o fim”. Toquei a vida.<br />
- Você entrou em ne-ga-ção! &#8211; falou sílaba por sílaba em tom de voz elevado, como se ele fosse surdo. Ou idiota. Ou um idiota surdo. Ele finalmente largou o jornal sobre o mármore frio da mesinha, aborrecido. O café esfriava. O cigarro da boca fora para a mesa, daí rolara para o colo dele, donde fora para o chão, pela perna esquerda estendida.<br />
- Não foi ne-ga-ção, foi a-cei-ta-ção.<br />
- E meus e-mails? Você recebeu?<br />
- Lógico que recebi.</p>
<p>Os olhos dela encheram-se de lágrimas. Disse com voz irritada e chorosa:</p>
<p>- E por que nunca respondeu?<br />
- Você disse claramente em todos eles que não queria que eu respondesse!<br />
- Mas você não entende nada? É incapaz de captar uma mensagem? Isso não era motivo para você ficar em silêncio!</p>
<p>Ele baixou a cabeça, correu as mãos pelos cabelos. Depois de seis meses de término, de paz, de distância e tranqüilidade, ali estavam os dois, em plena sessão de descarrego. Ele odiava sessões de descarrego, ela parecia adorar. Perguntou, como quem pede piedade:</p>
<p>- O que você quer de mim, afinal?<br />
- Minhas cartas.<br />
- Quer que eu devolva suas cartas?<br />
- Não seja idiota! Quero saber se você recebeu!<br />
- Ah! Também recebi.<br />
- E leu?<br />
- Li.<br />
- Leu todas?<br />
- Sim, li todas as suas cartas. Todas, todas.<br />
- Do começ…<br />
- Do começo ao fim!<br />
- E não vai dizer nada sobre o que eu escrevi pra você, as coisas que eu disse, minhas razões pra desistir da gente? Não vai me deixar saber o que você achou?<br />
- Parafraseando Roberto Carlos:<br />
- O cantor?<br />
- O cantor.</p>
<p>O olhar dela se acendeu com esperança. Ele, sempre tão insensível, estava na iminência de dizer algo realmente romântico, talvez até melodioso. Ele respirou fundo, soltou o ar lentamente, olhou-a nos olhos e, munido de toda sinceridade, soltou:</p>
<p>- Ri muito, bicho.</p>
<p>Ela ficou em silêncio por dez segundos. Dez segundos que duraram meia-hora. Uma hora. Quarenta dias e quarenta noites. Ficaram assim, olhos fixos um no outro. Ela, com toda a delicadeza de sua natureza feminina, esticou a mão, pegou a xícara de café e derramou no colo dele, que, temendo uma queimadura, assustou-se, quase caindo da banqueta (salvou-o a perna esquerda, firme no chão). À toa, porém: o líquido esfriara.<br />
Entre os dentes, querendo chorar, querendo gritar, querendo arrancar os cabelos &#8211; dela e dele -, ela sussurrou:</p>
<p>- E não volte a me procurar!</p>
<p>Ele ficou ali, enquanto ela se afastava pisando com força. Finalmente deu-se conta da ausência do cigarro na boca. Pegou outro, sequer pensou em procurar o primeiro. Olhou de novo para a garçonete.<br />
Ela se aproximou, sacou um isqueiro e acendeu o cigarro dele, usando-o em seguida para acender o seu. Soprou ruidosamente a fumaça do primeiro trago, olhou para a moça que sumia à distância, depois novamente para ele:</p>
<p>- Mulher é tudo louca, né?</p>
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