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	<title>Homem.org&#187; Ficção Verdadeira</title>
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	<description>Onde os homens são homens.</description>
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		<title>Lições do papai</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Feb 2009 15:12:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Verdadeira]]></category>
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		<description><![CDATA[Nunca pensei que uma memória relacionada ao meu pai pudesse definir tanto meu comportamento com as mulheres. Acho que o ano era 1986. Ele adorava carros e minhas lembranças dele se confundem até hoje com os carangos que possuiu: os dois pumas Spider (amarelo e vermelho), o Dodge Charge RT, o Chevette cinza e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://homem.org/wp-content/uploads/2009/01/homem1p.jpg" alt="homem1p" title="homem1p" width="590" height="300" class="aligncenter size-full wp-image-595" /></p>
<p class="MsoNormal">Nunca pensei que uma memória relacionada ao meu pai pudesse definir tanto meu comportamento com as mulheres. Acho que o ano era 1986. Ele adorava carros e minhas lembranças dele se confundem até hoje com os carangos que possuiu: os dois pumas Spider (amarelo e vermelho), o Dodge Charge RT, o Chevette cinza e o Santana vinho. Esse último foi, provavelmente, o único que ele havia comprado zero km e estava tirando aquela onda de coroa no carrão. Eu adorava aquele carro, aliás, toda a família. Saímos para almoçar, os quatro como sempre. Picanha no bar 810, maravilha! Porém no caminho, na esquina da Rua das Rosas, quando meu pai parou no sinal, o carro da frente veio dando ré devagarzinho e&#8230; cataplau! Silêncio de alguns segundos até que minha mãe estressada, viu através do vidro que era uma mulher que conduzia o carro “culpado”- Essa mulher é louca! – berrou olhando para meu pai com uma entonação de quem pede providências. Meu irmão e eu estávamos apreensivos, como crianças perdidas. Desce do carro a tal mulher, loira, de vestido solto no corpo até os joelhos, seios empinados, linda e nervosíssima. “Me desculpe senhor&#8230; ai&#8230; é que eu sou inexperiente e não vi&#8230; ai&#8230; me desculpa&#8230;” Meu pai nem saiu do carro para ver o dano. Olhou para ela e disse que “não era nada não”. Que poder! Até aquela data, qualquer um: filho, esposa, amigos, qualquer um que sequer arranhasse aquele carro seria partido em mil pedaços pelo meu coroa. Aquela mulher loira, de vestido solto no corpo até os joelhos, seios empinados, linda e nervosíssima poderia dominar o mundo. Foi a maior demonstração de poder que eu presenciara até então.</p>
<p class="MsoNormal">Enfim, toda a minha vida com o sexo oposto parece estar ligada a essa memória. Basta um sorriso, um decote, um beijo no canto da boca quando me cumprimentam despropositadamente, um shortinho no verão do Rio, um olhar desviado, a nuca descoberta, roupa de academia, enfim, qualquer coisa que elas façam tem o poder de me deixar embasbacado. O carro do papai foi a pedra fundamental da minha deliciosa escravidão aos caprichos das mulheres. Um brinde ao papai!</p>
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		<title>Dando as cartas sem piedade</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jan 2009 18:22:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>O Observador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Verdadeira]]></category>
		<category><![CDATA[Ultimos Posts]]></category>
		<category><![CDATA[conquista]]></category>
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		<description><![CDATA[Como se conheceram? Dizia ela que já o conhecia. Afirmava que já o vinha cobiçando há muito tempo, desde os tempos de baladas da faculdade. A fama dele era irretocável, as garotas da faculdade faziam de tudo para ter alguma coisa com ele, o que não era nada fácil. Ele gostava de um bom papo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-492" title="Grigoriy Yefimovich Rasputin, um cara impiedoso" src="http://homem.org/wp-content/uploads/2009/01/rasputin.jpg" alt="Grigoriy Yefimovich Rasputin, um cara impiedoso" width="590" height="300" /><br />
Como se conheceram? Dizia ela que já o conhecia. Afirmava que já o vinha cobiçando há muito tempo, desde os tempos de baladas da faculdade. A fama dele era irretocável, as garotas da faculdade faziam de tudo para ter alguma coisa com ele, o que não era nada fácil. Ele gostava de um bom papo, tinha bom gosto, era seletivo e transava com quem queria. Tudo dependia exclusivamente dele “querer” e não delas. Isso vinha desde o tempo de escola, era na verdade da raça “Observador”. Conhecia as mulheres como ninguém e sabia a hora certa de abordar uma mulher.<br />
Mas quem passou a observá-lo foi ela. Loira de olhos claros e estonteante. Elegante, sabia como se produzir, desde o sapato até a lingerie. Falava bem e era muito convincente nas suas opiniões. Gostava de passar pelos corredores da faculdade jogando charme para os meninos. Parava o trânsito literalmente. As meninas a achavam vulgar, esnobe e com pinta de vagabunda, coisas de dor de cotovelo de mulher. Ela podia.<br />
Até um dia em que a “Sra. Encruzilhada” os colocou estudando lado a lado. Não sei ao certo quem decidiu falar com quem. No primeiro contato ele demonstrou toda a sua experiência na arte da sedução. Ela por sua vez esbanjou sensualidade.<br />
Em pouco tempo os dois eram um só. Eventos, festas, baladas, viagens &#8230; tudo era feito em conjunto, era um casal invejável. Na cama então &#8230; faziam de tudo: transavam, trepavam, faziam amor &#8230; ele comia ela e ela comia ele – isso para não discriminar nenhum dos nossos leitores, afinal de contas uns transam, outros trepam, alguns fazem amor ou comem &#8230; enfim papos para horas. Era fogo no palheiro e não precisava muito, teve uma vez numa festa junina, num sitio de um conhecido, lá pelas tantas da madrugada, em meio à neblina que se formou, ele fez questão de transar com ela no meio da quadra de tênis.<br />
Parecia que ela o havia laçado de vez, o cara mais cobiçado da faculdade. Quando passavam pelos corredores ela era fuzilada pelas concorrentes. Ele, por sua vez, deixou de exercer o seu direito de novas conquistas e tudo demonstrava que seria definitivo. Era incomum ver um macho de tão nobre estirpe, ser dominado tão facilmente. Frente às amigas ela se vangloriava de tê-lo conquistado. O que ele achava? Para ele estava tudo bem, estava curtindo e saboreando todos os momentos. Os amigos que o tinham como parâmetro – como eu – não entendiam muito bem a situação, mas respeitavam a sua decisão.<br />
Porém, o retorno de sua ex-namorada dos EUA, ia colocar as coisas em seus devidos lugares. Na verdade ele estava pouco ligando pelo retorno dela. Mas a Sra. Exuberante fez da situação um verdadeiro “tsunami” e ele passou a viver o inferno na terra.<br />
As mesmas perguntas passaram a ser feitas todos os dias, depois de manhã e noite, em seguida de manhã, de tarde e de noite, e até quando estavam transando. A criatividade dela em elaborar novas questões em cima das mesmas questões era digna de alta insanidade:</p>
<blockquote><p>
“Como você soube que ela voltou?<br />
Quem te contou quando ela voltou?<br />
Ela te ligou?<br />
Ela foi te ver?<br />
Ela te procurou?<br />
Você a procurou?<br />
Você falou com ela?<br />
Você ligou para ela?<br />
Você esteve com ela?<br />
Você pensou em vê-la?<br />
Vocês estiveram juntos?<br />
Você não esteve com ela?<br />
Você pensou em ligar para ela?<br />
Você pensou em procurar por ela?<br />
E ela, será que ela vai te procurar? Te ligar? Te ver? Será que ela quer transar com você?”</p></blockquote>
<p>E mesmo recebendo negativas ela sentenciou como “<em>Sra. da Situação</em>”: “Olha aqui, você vai ter que escolher entre eu e ela!? E quando você decidir você me procura.” Realmente ela teve um surto. Alguns acham que ela enlouqueceu. Mas não adiantava falar com ela, não adiantava argumentar com ela, não adiantava sugerir ou aconselhar, não adiantava nada. Ela estava irredutível na sua decisão.<br />
Na verdade ela não imaginava o que estava fazendo e com quem estava lidando. Para quem assistia a tudo, do lado de fora, percebeu que ela estava “cutucando a onça com palito de sorvete”. Ele, por sua vez, estava impassível, era avesso a novela mexicana e diante da situação apenas disse: “É isso que você quer? Então ok, eu vou decidir”.<br />
O tempo passou. Ele evitava tocar no assunto, não saia com os amigos e decidiu apenas “observar”. Ela por sua vez dizia que sabia qual seria a decisão dele, falava abertamente que ele ia escolher ficar com ela. Ele continuava a “observar”, na espreita, nas sombras &#8230; Ele e seus pensamentos. Ela certa da resposta.<br />
O tempo passou.<br />
Alguma coisa estava para acontecer, tudo por causa de conversinhas que davam conta que ele havia tomado uma decisão. Definitiva é claro, como todas as que ele tomava. Criou-se uma expectativa em torno dessa situação que há tempos não se via. Quem lançou? Ninguém sabia dizer com precisão. Se o intuito era alcançar a Sra. Toda Poderosa, deu certo. E quem o conhecia sabia que ele não dava ponto sem nó.<br />
O tempo parou.<br />
Como de costume lá estava ele, na lanchonete da faculdade, fazendo um lanche. Parecia ter sido combinado. Por uma das portas ela entrou e propositalmente se colocou num balcão de frente para ele. Alguns tiveram o prazer de assistir. Ele não mexeu um dedo, somente levantou os olhos por cima dos óculos escuros. Os olhares se cruzaram. Ele simplesmente voltou a saborear seu lanche. Insatisfeita e com ar de ansiedade ela pegou suas coisas do balcão e a passos rápidos se colocou ao lado dele.<br />
Com ar de soberba começou a falar: “Oi tudo bem?”. Ela já imaginava desfrutar dos beijos dele, de sua companhia, das transas loucas e calorosas&#8230; O coração dela parecia que ia sair pela boca, parecia que ia explodir e a mão transpirava mais que o de costume. Enquanto ele se mantinha imóvel ela continuou a falar: “Me disseram que você tomou uma decisão sobre nós&#8230; é verdade?” A última palavra quase não saiu.<br />
“É verdade, tomei sim”. Uma onda de calor tomou o corpo dela enquanto ele se virava para olhá-la bem nos olhos.<br />
O tempo continuava estático.<br />
“Eu não vou ficar nem com você, nem com ela”. Sua voz grave ecoou. Ele não gritou e não falou alto. Seus olhos pareciam em chamas e as palavras pareceram sair entre ranger de dentes. Foi um verdadeiro soco no estomago. Ela não tinha como reagir e não reagiu. Ele não se despediu, pegou suas coisas e saiu da lanchonete. Do lado de fora uma morena sensacional o aguardava, beijou-a na boca, voltou-se para trás, olhou-a novamente por cima dos óculos e acenou se despedindo.<br />
O tempo voltou a correr.<br />
*********************<br />
Não basta só “observar”, além de “observar” é preciso sangue frio e saber agir.<br />
Nunca tenha piedade.</p>
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		<title>Sexo com amor</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Dec 2008 08:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo S</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Verdadeira]]></category>
		<category><![CDATA[Ultimos Posts]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[pudica]]></category>
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		<description><![CDATA[Conforme meus amigos e eu vamos ficando mais velhos, mais freqüentemente tenho escutado a frase &#8220;Ah, meus 20 anos&#8221;. Confesso que nunca entendi esse clima de saudosismo. Hoje tenho uma vida muito melhor e como muito mais gente do que naquele período. Então, do que eles têm tanta saudade? Outro dia mesmo, num papo desses, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://homem.org/wp-content/uploads/2009/01/amor-ou-sexo.jpg" alt="amor-ou-sexo" title="amor-ou-sexo" width="590" height="300" class="aligncenter size-full wp-image-459" /></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">Conforme meus amigos e eu vamos ficando mais velhos, mais freqüentemente tenho escutado a frase &#8220;Ah, meus 20 anos&#8221;. Confesso que nunca entendi esse clima de saudosismo. Hoje tenho uma vida muito melhor e como muito mais gente do que naquele período. Então, do que eles têm tanta saudade?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">Outro dia mesmo, num papo desses, puxado no boteco, junto com uma molecada mais nova, me lembrei de uma história dos meus 20 anos e da qual não me orgulho em nada. Para mim, ela é o exemplo perfeito que não adianta estarmos no ápice da forma física, sem a técnica e a tática necessárias. Entre uma cerveja e outra, contei como conheci uma garota chamada Cinthia, num encontro de estudantes. Essas ocasiões só existiam para mim com duas finalidades: viajar por preços módicos e pegação (não necessariamente nessa ordem). Na época tinha até um lema, “Conheça o Brasil com o movimento estudantil”.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Naquela viagem para Belo Horizonte, fui surpreendido logo na chegada. Cara, não tenho frescura alguma com alojamentos, mas esse era um puta lugar, muito acima da média das salas de aula em que eu costumava dormir. Na hora até tive vontade de ligar para a namorada e falar como eu gostaria que ela estivesse ali para curtir aquele lugar comigo. Como bom filho da puta, acabei não telefonando e saindo para o bar que ficava anexo ao prédio.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">Dentre várias candidatas a ‘Miss Delícia’ do encontro, elegi a ruivinha. Olhos verdes, decote mostrando as sardinhas nos seios e uma boca carnuda, que me deixou maluco desde o momento que a vi. Era a Cinthia. Ela estava sozinha no balcão, disse que esperava uma amiga que estava preparando uma oficina de surto artístico (?!?!).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">Quando ela me contou aquilo, não contive o riso. Mas ao invés de se ofender pela amiga, ela apenas comentou “oficineiros não pagam o encontro”, também sorrindo. Era o sinal que eu precisava. Dali em diante a aproximação ficou bem mais fácil. Só que para o meu azar, a tal amiga chegou em seguida e ela teve que acompanhá-la. Tentei convencê-la de todas as formas a ficar mais tempo. Mas ela acabou me dando só um beijo e o telefone, dizendo &#8220;me liga amanhã&#8221;. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">“Porra, que gala fraca”, disse o Abel, que estava comigo no bar. Tive que concordar com ele e adiantar que o pior estava por vir.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Cara, passei o dia seguinte inteiro desconcertado, desconcentrado, sei lá, com a cabeça naquela mulher.<span style="yes;"> </span>Se normalmente eu já cagava solenemente pras palestras e reuniões da executiva, naquele dia então, nem se fala. Cheguei a cogitar ir na tal oficina, mas a pouca vergonha que eu ainda tinha e a cachaça com a galera me impediram. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">De noite liguei, claro. Assim que ela atendeu, disse “Vamos nos encontrar”. Nem era uma pergunta, afirmei mesmo, com uma convicção que ela comentou que era muito interessante. Cara, fiquei com ela e foi sensacional. A mulher era gata, divertida, inteligente. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">“Era a mulher perfeita!”, retrucou o Geraldo, debochando como de hábito. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Claro que não. Não era perfeita. Sabe qual era o defeito? Bem grave: era pudica demais. Travada. Freio de mão puxado! Sabe por quê? No meio da madrugada, chapados, a gente foi até o alojamento dela e ficamos de amassos. A coisa foi esquentando, esquentando e ela, de repente, levanta e fala, com cara de assustada: “Você é ótimo, mas eu não acredito em sexo sem amor!”.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">Ora, eu não ia perder a piada, aí respondi: “MAS EU TE AMO, GATA!”.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">“Boa! Aí ela te deu!?”, perguntaram todos, com certeza que a resposta seria sim.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Cara, acredita que ela se enfezou, me mandou embora e nunca mais falou comigo?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Porra, que mal humorada!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"> </p>
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		<title>Como ser Homem &#8211; O uso da palavra &#8220;maravilhoso&#8221; por homens heterossexuais</title>
		<link>http://homem.org/como-ser-homem-o-uso-da-palavra-maravilhoso</link>
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		<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 06:29:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Salomão Valadão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Verdadeira]]></category>
		<category><![CDATA[heterossexualidade básica]]></category>
		<category><![CDATA[como ser homem]]></category>
		<category><![CDATA[maravilhosa]]></category>
		<category><![CDATA[maravilhoso]]></category>

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		<description><![CDATA[Por saber que muitos dos leitores e leitoras deste site não têm o hábito de ler os comentários, copio aqui, com pequenas adaptações, um deles feito por mim no artigo &#8220;Como reconhecer uma roubada&#8220;, de Jaime Alves. Aproveito a oportunidade para dar início a uma série de artigos entitulada &#8220;Como ser Homem&#8221;, para ser incluída [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="italic;">Por saber que muitos dos leitores e leitoras deste site não têm o hábito de ler os comentários, copio aqui, com pequenas adaptações, um deles feito por mim no artigo &#8220;<a title="Como reconhecer uma roubada" href="http://homem.org/como-reconhecer-uma-roubada/" target="_blank">Como reconhecer uma roubada</a>&#8220;, de Jaime Alves. Aproveito a oportunidade para dar início a uma série de artigos entitulada &#8220;Como ser Homem&#8221;, para ser incluída em uma categoria a ser criada denominada &#8220;Heterossexualidade Básica&#8221;.</span></em></p>
<p><strong>O uso da palavra “MARAVILHOSO” por homens heterossexuais.</strong></p>
<p>A palavra maravilhoso é a mais importante das chamadas &#8220;palavras reveladoras&#8221;. São palavras que podem dizer muito mais de quem está falando do que palavras comuns. Outros exemplos de palavras reveladoras são &#8220;buffet&#8221;, &#8220;querida&#8221;, &#8220;Paris&#8221;, &#8220;jamais&#8221;, &#8220;divino&#8221;, entre outras, mas nenhuma delas tem a força da palavra &#8220;maravilhoso&#8221;. Houve uma vertente que defendia a palavra &#8220;horroroso&#8221; como tão ou mais importante que &#8220;maravilhoso&#8221;, mas estudos mais aprofundados situaram &#8220;horroroso&#8221; em segundo lugar, de longe!</p>
<p>O negócio é bem simples: há apenas 3 regras básicas para usar a palavra &#8220;maravilhoso&#8221;, mas é preciso tomar cuidado com as exceções da primeira regra. Vamos a elas:</p>
<p><strong>1 &#8211; Evite usar a palavra o máximo possível.</strong></p>
<ul>
<li> 1.a &#8211; <span style="underline;"><span style="bold;">Exceções</span>: </span>
<ul>
<li>1.a.a) Quando se referir a mulheres e partes de seus corpos. Ex.: “A Fernanda é maravilhosa!”, ou “A bunda da Fernanda é maravilhosa!”, ou ainda “Os peitos da Fernanda são maravilhosos!”.
<ul>
<li><span style="underline;">1.a.a.a) <span style="underline;">Exceção da exceção</span></span>: as partes maravilhosas da mulher não podem ser <span style="underline;">unhas</span> ou <span style="underline;">cabelos</span>;</li>
</ul>
</li>
<li>1.a.b) Quando se referir a instrumentos musicais. Ex.: “A Fender Stratocaster é maravilhosa!”;</li>
<li>1.a.c) Quando se referir a lances e jogadas esportivas. Ex.: “A bicicleta do Romário foi maravilhosa!”, ou “O passe do Edmundo pro Rogério foi maravilhoso!”.</li>
<li>1.a.d) Para puxar o saco da sogra ou da mãe da mulher que você quer comer. Ex.: “Dona Felisberta, este creme de aspargos está maravilhoso!”.</li>
</ul>
</li>
</ul>
<p><strong>2 &#8211; Nunca pronuncie a palavra em questão separando as sílabas e frisando cada uma delas.</strong></p>
<ul>
<li><span style="underline;"><span style="underline;">Exemplos</span></span>: “A Fernanda é MA-RA-VI-LHO-SA!” ou “Dona Felisberta, este creme de aspargos está MA-RA-VI-LHO-SO!” ou ainda “O passe do Edmundo pro Rogério foi MA-RA-VI-LHO-SO”</li>
</ul>
<p><strong>3 &#8211; E nunca, em hipótese alguma, use a palavra em questão referindo-se a espécimes humanos do gênero masculino.</strong></p>
<ul>
<li><span style="underline;"><span style="underline;">Exemplos</span></span>: &#8220;O Cláudio Adão foi um jogador maravilhoso&#8221; ou &#8220;O George Clooney é um ator maravilhoso&#8221; ou &#8220;Você é um amigo maravilhoso&#8221; ou ainda &#8220;… um sem fim de exemplos de homens maravilhosos&#8221;.</li>
</ul>
<p style="center;">
]]></content:encoded>
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		<title>Colonialismo</title>
		<link>http://homem.org/colonialismo</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Dec 2008 03:01:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Verdadeira]]></category>
		<category><![CDATA[conversa]]></category>
		<category><![CDATA[teorias]]></category>

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		<description><![CDATA[- Escuta, não é hoje o aniversário daquela mina lá, não? - Existem muitas “minas”, meu ambíguo camarada. A qual te referes? - Àquela que você disse que tava “namorando”. - Falas da esfuziante Cristina, obscuro amigo? - Essa aí! - Deixe-me esclarecer que sua tentativa de implicar que minhas informações sobre o namoro eram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Escuta, não é hoje o aniversário daquela mina lá, não?<br />
- Existem muitas “minas”, meu ambíguo camarada. A qual te referes?<br />
- Àquela que você disse que tava “namorando”.<br />
- Falas da esfuziante Cristina, obscuro amigo?<br />
- Essa aí!<br />
- Deixe-me esclarecer que sua tentativa de implicar que minhas informações sobre o namoro eram meramente devaneios são grosseiras, para dizer o mínimo! Estamos namorando de fato!<br />
- Não estamos nada!<br />
- Dizia de mim e dela, caro galhofeiro!<br />
- Tá, tanto faz. Não é hoje o aniversário da guria?<br />
- Sua informação é verdadeira, ó, bem-informado colega.<br />
- E você tá aqui, nesse boteco, comigo, fazendo o quê?<br />
- Ora! Degustando esta deliciosa bebida produzida a partir da fermentação de cereais maltados, obtuso comparsa.<br />
- Você entendeu! Aniversário da sua menina e você aqui, comigo, em vez de estar com ela?<br />
- Não entendo sua estupefação, meu pasmo parceiro.<br />
- Não entende? Você compreende que uma das diretrizes mais básicas do implícito contrato de mutualidade conhecido como “namoro” diz que os aniversários devem ser passados JUNTOS?<br />
- Você me decepciona, meu tacanho amigo!<br />
- Imagino o quanto&#8230;<br />
- Permita-me ilustrar melhor a situação para seu simplório conhecimento, atônito rapaz. Estudaste história?<br />
- É claro que sim.<br />
- Pense, então, em termos de colonialismo europeu. Nós, homens, somos as pequenas metrópoles européias: desenvolvidas, civilizadas, refinadas, porém limitadas.<br />
- Sei.<br />
- As mulheres, por outro lado, são os continentes desconhecidos. Vastos, belos, de abundantes riquezas, as mais variadas e sedutoras possíveis. São, entretanto, incivilizadas, indômitas e, por vezes, assustadoras.<br />
- Tô entendendo.<br />
- Agora imagine nossas tentativas de aproximação como as antigas naus espanholas e portuguesas dos séculos XVI e XVII tentando cruzar o oceano infinito à procura de bens necessários. Nossa conversa sendo a embarcação. É preciso deixá-la ágil, embora bem suprida. Deixá-la forte, mas com alguma fragilidade. Assim ela parte, segura diante do olho destreinado, mas claramente instável para os entendidos do assunto. Lançamo-las ao mar na esperança de chegar em terra e, na maior parte das vezes, naufragamos. Temos sucesso de vez em quando, porquanto somos exaustivamente insistentes.<br />
- “Porquanto” é foda, haja prolixidade!<br />
- Deixe-me com meu belo vocabulário! Como dizia, conquistamos, então, a tão sonhada colônia. Nossa primeira atitude é livrá-la de seus habitantes incivilizados e de hábitos pouco cristãos, por isso proibimos nossas namoradas de usar roupas curtas, freqüentar eventos onde reina a devassidão e a promiscuidade, coisas assim.<br />
- Certo.<br />
- A partir daí atraímos a confiança da população restante com badulaques e bugigangas de pouco valor, porém chamativas. Espelhinhos, colares e outras manufaturas de baixo custo. Distraímos sua atenção enquanto são evangelizados e submetidos à nossa vasta cultura.<br />
- Verdade.<br />
- Por fim, afastamos os possíveis invasores e declaramos nossa hegemonia sobre o território.<br />
- Saquei.<br />
- Até esse ponto, já sondamos todo o terreno, logicamente. Conhecemos suas reentrâncias, falhas geológicas e clima bem o suficiente para podermos trafegar por ali com relativa segurança.<br />
- Fato.<br />
- Começamos a explorar suas matérias-primas…<br />
- Tá falando das filhas das tias delas?<br />
- Não, meu confuso camarada. Falo de seus favores únicos, das coisas as quais, apesar de todo nosso avanço, não temos como nos auto-suprir, compreende?<br />
- Ah, sim. Os chupiscos, as trepadas e tal.<br />
- Sua falta de tato me constrange, caro troglodita, mas folgo em notar que entendes sutilezas.<br />
- Certo. E depois?<br />
- Depois apresentamos nosso novo território para as metrópoles aliadas. Damos aos dois a liberdade de estabelecer comércio apenas por nosso intermédio. O acesso irrestrito é nosso e somente nosso.<br />
- Justo. E então?<br />
- Bom, nesse ponto somos os senhores do castelo. Nossos soldados estão por ali, cuidando do território e prevenindo insurreições. Tudo o que temos a fazer é, como os monarcas que somos, deixar claro que, apesar da distância, estamos cientes de tudo o que se passa, ainda que não estejamos de fato.<br />
- Só pra não fugir desse teu paralelo maluco, ficar com a sua namorada no aniversário dela não seria uma maneira de deixar claro que o imperador e as legiões estão bem, quero dizer, que a metrópole está atenta ao que se passa na colônia?<br />
- Você se adianta, meu célere ouvinte. Quando nossa supremacia está finalmente estabelecida, temos que partir para novas terras. Ampliar o território. É possível tentar anexar áreas próximas, indo atrás de parentes e amigas delas, mas sabe-se que conflitos entre habitantes locais tornam quase impossível o sucesso em tal empreitada. O ideal é lançar ao mar as caravelas e aportar em novos costados.<br />
- Ok. E em que ponto você está?<br />
- Exatamente neste. No momento espero que minha nova colônia apareça. Meus navios já têm as velas enfunadas e as âncoras recolhidas. Só me falta estabelecer a rota.<br />
- Hm.<br />
- Estou considerando tomar posse dos territórios claudianos.<br />
- Cara, fala que nem gente, pelo amor de deus!<br />
- Meu desmemoriado aprendiz, lembra-se da Claudinha, aquela mui simpática senhorita que trabalha na videolocadora perto da minha casa? Então. Soube que ela costuma freqüentar este pândego ambiente onde, agora, nos encontramos.<br />
- Ah, sei. Mas acho que não é só ela, não.<br />
- Como assim?<br />
- Olha ali a Cristina chegando com um sujeito.<br />
- Mas hein?!<br />
- Pois é.<br />
- Porra, o que esse cretino tá fazendo com a minha namorada?<br />
- A mim faz parecer, estimado, atraiçoado, acornalhado camarada, que sua colônia encontrou um líder rebelde capaz de livrá-la do cruel jugo monárquico. Devo informá-lo que seus súditos, esta noite, estabelecerão comércio com outros mercados. Hurra! A Revolução triunfou! Bebamos a isso! Garçom, traz mais uma!<br />
- Bah.<br />
- E você fica chato pra caralho quando bebe, diga-se de passagem.</p>
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		<title>Aprenda a comer quieto!</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 04:55:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo S</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Verdadeira]]></category>
		<category><![CDATA[comer gringa]]></category>
		<category><![CDATA[irmã]]></category>
		<category><![CDATA[Sharapova]]></category>

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		<description><![CDATA[- Tu viu o jogo da Sharapova? - Vi, ganhou de uma croata, acho que era croata&#8230; ela tá meio gorda, nem vi o jogo todo. - Mas ela grita gostoso, imagina fodendo! - Hum, verdade, hein. Falando &#8220;me come todinha, em russo&#8221;, deve ser um tesão! - Tu já comeu gringa? - Não, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="small;"><span style="Calibri;"><span style="yes;"> </span>- Tu viu o jogo da Sharapova?</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Vi, ganhou de uma croata, acho que era croata&#8230; ela tá meio gorda, nem vi o jogo todo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Mas ela grita gostoso, imagina fodendo!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Hum, verdade, hein. Falando &#8220;me come todinha, em russo&#8221;, deve ser um tesão!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Tu já comeu gringa?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Não, a mais gringa que eu comi foi uma menina de Roraima, num carnaval em Porto Seguro. Também comi uma menina que morou nos Estados Unidos, em Boston acho, mas aí não vale, né? Era brasileira. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Brasileira que morou em Boston? Seu viado, tu comeu a minha irmã?! Nunca me falou!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Pô cara, foi mal, achei que tu sabia. Todo mundo&#8230; quer dizer, deixa pra lá.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Todo mundo sabia?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Não&#8230; todo mundo comeu&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Ah, porra, fala sério! Tá de saca com a minha cara!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Não, porra, tô falando sério, ela já deu pra mim, pro Wilsinho, pro Russo, pro Róbson, pro Leandro&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Caralho, não é possível, eu até desconfiava do Russo e do Leandro, mas ela já deu até pro Róbson! Tu tá de sacanagem com a minha cara! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Tô não, maluco, sério mermo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Porra&#8230; e eu que achei que sabia comer quieto&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Cara, comer quieto quem? Do pessoal, todo mundo sabe quem comeu quem, tu acha que é mais malandro que os outros? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Não cara, é que eu sou discreto, sei fazer as coisas na encolha, já comi umas meninas aí que agora tão namorando&#8230; </span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Ah, porra, tu acha que eu não sei? Tu já comeu a Fernanda, a Elisa, a Marcela, a Tina&#8230; aliás, você e todos nós! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Sério? Todo mundo já comeu?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Todo mundo! Comemos elas e a sua irmã!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="0cm 0cm 10pt;"><span style="Calibri;">- Caraio&#8230;</span></p>
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		<title>Homens que (se) dobram para mulheres</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 00:12:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Verdadeira]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de mais nada, deixa eu me apresentar, né? Eu me chamo Yuri, moro em uma das capitais do nosso Brasil varonil, e como meus convivas daqui curto as boas coisas da vida. Umas mais do que as outras, e quais eu prefiro vocês descobrem com o tempo &#8211; mas fica a dica que ótimas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="justify;">Antes de mais nada, deixa eu me apresentar, né? Eu me chamo Yuri, moro em uma das capitais do nosso Brasil varonil, e como meus convivas daqui curto as boas coisas da vida. Umas mais do que as outras, e quais eu prefiro vocês descobrem com o tempo &#8211; mas fica a dica que ótimas mulheres, boas bebidas e diversão garantida fazem meu mundo girar. Tem bem mais, mas fica pra próxima rodada.</p>
<p style="justify;">Eu tava pensando uma parada esses dias&#8230; às vezes, eu queria ter algum tipo de habilidade artística. Não, eu nem tô falando de paradas como &#8220;a arte da cantada&#8221;, &#8220;aquela entre quatro paredes&#8221;&#8230; bora parar de sacanagem por um instante só que seja? Beleza. Na boa: eu queria mesmo era saber fazer origami. E nem precisava ser muito não, um só já estava maneiro: o do gato.</p>
<p style="justify;">&#8220;<em>Ê, começou bem, hein?</em>&#8220;, já ouço meus comparsas de site falando. Espera que eu explico: quase todo dia pego o metrô pro trabalho &#8211; claro, desconta aí aquele dia em que acordei atrasado pra cacete por causa da biritagem desgovernada na noite anterior, ou seja lá qual atividade madrugada adentro, e aí rola aquela pressa ferrada de pegar o primeiro transporte público pro trabalho &#8211; e sempre tem aquela gata que você tenta tirar o olho e nem consegue.</p>
<p style="justify;">(hoje mesmo tinha uma que vou te contar, hein&#8230; magrinha &#8211; mas não demais &#8211; cabelo castanho quase claro, um bocão e dois olhões verdes&#8230; e aquela cara de ex-menina, saca? Daquelas que desviam o olhar se notam que estão sendo olhadas mais do que deveria&#8230;)</p>
<p style="justify;">Enfim, é nessas horas que eu queria poder sacar um desses já prontos da bolsa (porque até parece que em um trem empanturrado de gente ia rolar de sacar um papel, começar a fazer dobraduras, e por aí vai), dar pra ela e esperar algo do tipo:</p>
<p style="justify;"><em>- Que que é isso?</em></p>
<p style="justify;"><em>- É uma gata, que nem você. </em></p>
<p style="justify;">E aí eu explicaria que eu só dou essa pra mulheres que mereçam muito, como se fosse um pequeno e singelo troféu. Aí se ela duvidasse e resolvesse me revistar, ela não acharia mais nenhum &#8212; óbvio que eu ia carregar poucos comigo, né? Quem vocês acham que eu sou, o mestre Miyagi?</p>
<p style="justify;">Se bem que sei lá, hein? Na minha cabeça parecia muito melhor essa idéia toda dos origamis. Além de ser bem mais sutil do que, hã, um cartão de visitas com nome, sobrenome e telefone (vai que a gatinha do bocão do exemplo acima é uma stalker maluca?)&#8230; ou, ainda no reino das dobraduras, um aviãozinho de papel. Afinal, nem estamos mais no colégio &#8211; ainda bem, hein &#8211; e ainda periga pegar no nariz, orelha, ou &#8212; ó o vacilo supremo pintando &#8211; em um daqueles olhões lindos dela.</p>
<p style="justify;">Aí, bicho, nem se tu for médico ou oftalmologista tu se salva.</p>
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		<title>Gata e rato</title>
		<link>http://homem.org/gata-e-rato</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 09:49:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Verdadeira]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[conversa]]></category>
		<category><![CDATA[pegadas]]></category>

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		<description><![CDATA[- Você sabe que eu gosto de você. Ela o fitava com olhos lascivos, ouvindo tudo com a atenção desmedida que as mulheres dedicam aos homens quando estão interessadas em mais do que conversa. - Gosta? &#8211; e por &#8220;gosta?&#8221; ela queria dizer &#8220;Mostre o quanto&#8221;. - Claro que gosto. Eu já disse que gosto. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>- Você sabe que eu gosto de você.</em></p>
<p>Ela o fitava com olhos lascivos, ouvindo tudo com a atenção desmedida que as mulheres dedicam aos homens quando estão interessadas em mais do que conversa.</p>
<p><em>- Gosta?</em> &#8211; e por &#8220;gosta?&#8221; ela queria dizer &#8220;Mostre o quanto&#8221;.<br />
<em>- Claro que gosto. Eu já disse que gosto. Não disse?<br />
- Não sei. Disse?</em> &#8211; e com isso ela queria dizer &#8220;Quero te ouvir repetir&#8221;.<br />
<em>- Disse. Disse, sim.<br />
- Se você diz&#8230;</em> &#8211; e por &#8220;se você diz&#8230;&#8221; ela queria dizer &#8220;Seja mais enfático&#8221;.<br />
<em>- Digo: disse.<br />
- Então você diz que disse.</em> &#8211; com isso ela queria dizer que ele poderia fazer bem melhor.<br />
<em>- Digo. E, se não disse, acabei de dizer. E digo de novo: eu gosto de você.<br />
- Hm.</em></p>
<p>Esse &#8220;hm&#8221; não era um &#8220;hm&#8221; qualquer. Era um &#8220;hm&#8221; feminino. E &#8220;hm&#8221;&#8216;s femininos, como muitos outros grunhidos das mulheres, estão em uma categoria totalmente diferente de &#8220;hm&#8221;&#8216;s masculinos. Homens fazem &#8220;hm&#8221; simplesmente por preguiça de dizer &#8220;prossiga&#8221; ou para sinalizar que entenderam. Mulheres fazem &#8220;hm&#8221; por milhares de outras razões. Poder-se-ia escrever toda uma tese sobre o que esse &#8220;hm&#8221; queria dizer, mas seria dupla perda de tempo. Primeiro porque jamais chegaríamos a qualquer conclusão. Segundo porque perderíamos a seqüência do diálogo. Diremos apenas que o &#8220;hm&#8221; foi sugestivo e, por &#8220;sugestivo&#8221;, depreenda o leitor o que quiser.</p>
<p><em>- Você é inteligente.<br />
- Sou?</em> &#8211; e com isso, mais uma vez, ela pedia a ele para se empenhar mais no que dizia.<br />
<em>- É. Inteligente. Muito, muito inteligente.<br />
- Hmmm&#8230;</em> &#8211; esse foi mais longo, quase um ronronar. Com isso ela demonstrou clara satisfação.<br />
<em>- E nós nos damos bem.<br />
- Eu também acho.</em> &#8211; leia-se: &#8220;Mas podemos nos dar melhor&#8221;.<br />
<em>- Nos damos muito bem.<br />
- Concordo.</em> &#8211; e por &#8220;concordo&#8221; entenda-se &#8220;Estamos chegando onde eu quero&#8221;.<br />
<em>- Não tem como a gente se dar melhor que isso.<br />
- Aí eu já discordo.</em> &#8211; e com isso ela quer dizer &#8220;Cale a boca e eu te mostro&#8221;.</p>
<p>Ela fechava o cerco.</p>
<p><em>- Então. A gente se dá muito, muito bem.<br />
- Um-hum.</em> &#8211; e com isso ela quer dizer &#8220;Se você não fizer nada agora, eu faço&#8221;.<br />
<em>- Temos assunto em comum.<br />
- Temos.</em> &#8211; essa resposta seca significando &#8220;Se eu quisesse ver rodeios, ia pra Barretos.&#8221;<br />
<em>- Conversa pra horas a fio.<br />
- É.</em> &#8211; ou seja, &#8220;Cala a boca e beija logo!&#8221;.<br />
<em>- E você&#8230; bom, você é muito legal. Você sabe que eu te acho muito legal, não sabe?<br />
- Acha?</em> &#8211; e por &#8220;acha&#8221; ela quer dizer &#8220;Posso ser bem mais legal que isso&#8221;.<br />
<em>- Claro que acho. Eu acabei de dizer que acho.<br />
- É.</em> &#8211; e ela quer dizer &#8220;Vou te mostrar o quando eu sei ser legal&#8230;&#8221;<br />
<em>- Então.<br />
- Então.</em> &#8211; ela se aproxima, querendo dizer &#8220;Finalmente&#8221;.<br />
<em>- Eu te disse tudo isso porque eu queria&#8230; bom&#8230; eu queria te dizer uma coisa importante.<br />
- Diz.</em> &#8211; ela responde, num sussurro, e por &#8220;diz&#8221; ela quer dizer &#8220;Vai comer ou quer que embrulhe?&#8221;.<br />
<em>- Com tudo isso que a gente tem, que dá tão certo e tal&#8230;<br />
- Hm.</em> &#8211; Esse foi um raro &#8220;hm&#8221; definível, um gemido de antecipação.<br />
<em>- Ainda acho importante frisar que acho que nossa relação deve ser não carnal.<br />
- Não carnal?</em> &#8211; e com isso ela quer dizer &#8220;Mas&#8230; hein?&#8221;.<br />
<em>- Sim. E por &#8220;não carnal&#8221; eu quero dizer: TIRA A MÃO DA MINHA BUNDA, CARALHO!</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>MFP &#8211; O Movimento Feminino Perverso</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 08:02:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Salomão Valadão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Verdadeira]]></category>
		<category><![CDATA[diferenças entre homens e mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[guerra dos sexos]]></category>
		<category><![CDATA[mfp]]></category>
		<category><![CDATA[movimento feminino perverso]]></category>
		<category><![CDATA[textos avançados]]></category>
		<category><![CDATA[textos técnicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta matéria dá início a uma série voltada aos membros avançados, para os quais um pingo é letra e não se faz mais necessário explicar o bê-a-bá de cada coisa. Não estou oferecendo pérolas aos porcos, visto que quem não sabe o básico, não saberá sobre o que os temas desta série tratam. É como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<address>Esta matéria dá início a uma série voltada aos membros avançados, para os quais um pingo é letra e não se faz mais necessário explicar o bê-a-bá de cada coisa. Não estou oferecendo pérolas aos porcos, visto que quem não sabe o básico, não saberá sobre o que os temas desta série tratam. É como alguém que não sabe nem fazer soma e multiplicação, ler instruções para extrair raiz quadrada.</address>
<address><em> </em><em><strong><br />
</strong></em></address>
<address> </address>
<div>Ok, podem achar que eu sou um teórico da conspiração, mas a verdade é que existe um movimento feminino que, imagino, não seja organizado, porém funciona articuladadamente, como se as mulheres houvessem combinado tudo antes. A impressão que se tem é que se o homem não se submete às condições impostas pelas mulheres neste movimento, ele não comerá mais ninguém. Como pode-se supôr, muitas vezes este movimento mantém o homem subjugado.</div>
<div><em> </em><em><strong><br />
</strong></em></div>
<div>O homem não tem consciência dele. Sente-o perturbando o seu bem-estar, mas não sabe exatamente o que é. É como aquele ruído da geladeira que não nos damos conta, mas que quando cessa, sentimos um enorme alívio e percebemos o quão agradável o mundo poderia ser sem ele!</div>
<div><em> </em><em><strong><br />
</strong></em></div>
<div>A famosa guerra dos sexos não é uma guerra declarada. É uma guerra de subentendidos, de expectativas, de culpas e medos. E não é possível analisar este assunto em uma simples matéria aqui no site. É campo para inúmeros artigos, cada qual esclarecendo um pouco mais a verdadeira natureza deste <strong>Movimento Feminino Perverso</strong> (MFP). Vamos dar aqui as linhas gerais, mas estaremos longe de compreendê-lo. Assim como ele não é arquitetado pelas mulheres, ele apenas pode ser intuído pelos homens.</div>
<div><em><strong><br />
</strong></em></div>
<div>Quanto mais tentamos explicar do que o MFP se trata, mais confuso o conceito se torna, pois ele é quase abstrato e muito abrangente. A melhor forma de compreendê-lo é não racionalizando-o, percebê-lo como uma espécie de energia que permeia muitas ações femininas e repercute nos sentimentos e nos movimentos masculinos, restringindo-os.</p>
<div><em><strong><br />
</strong></em></div>
</div>
<div>Sim, os homens são tolhidos constantemente pelo MFP, mas existem meios de identificar a sua ação e aí fazer um movimento contrário, a fim de neutralizá-lo. Em linhas gerais, a ação do MFP visa basicamente impedir o homem de fazer o que quer. Isto porque o que o homem quer fazer raramente vai ao encontro do que a mulher quer que ele faça. Desta forma, se você conseguir identificar que está deixando de fazer algo que quer ou, pior ainda, fazendo algo que não quer, é muito provável que neste instante você esteja sob o jugo do MFP.</p>
<div><em><strong><br />
</strong></em></div>
</div>
<div>Identificar que está deixando de fazer algo que quer ou fazendo algo que não quer é o primeiro passo para perceber a ação do MFP. Em seguida você deve se questionar: “por que estou deixando de fazer isso?” (ou “por que estou fazendo isso?”). Identifique uma das respostas possíveis oriundas da influência do MFP:</div>
<div>
<ul>
<li>Porque, se eu não agisse assim, sentiria uma certa “culpa”.</li>
<li>Porque está pressuposto que eu deva agir assim.</li>
<li>Porque é minha vez.</li>
<li>Porque ela conta que eu aja assim.</li>
<li>Porque eu preciso ajudar.</li>
<li>Porque é sacanagem.</li>
<li>Porque, se eu fizer, ela pode fazer também.</li>
</ul>
</div>
<div>Estas são só algumas possibilidades. Na verdade existem muitas variações destas respostas que poderiam ser creditadas ao MFP. O que elas tem em comum é que em nenhum caso o assunto em questão foi conversado &#8211; tudo é pressuposto. Aí é que reside o maquiavelismo do movimento.</p>
<div><em><strong><br />
</strong></em></div>
</div>
<div>Como foi dito antes, o assunto é extenso e nem nos passa pela cabeça esgotá-lo em uma matéria. As suas variações e  imensa importância na vida do homem faz com que o tema seja fonte inesgotável de colunas futuras. Até lá, pois.</p>
<div><em><strong><br />
</strong></em></div>
<div><strong><em> </em></strong></div>
</div>
<div>
<div><em><strong>Salomão Valadão</strong></em></div>
<div>
<div><em><strong><br />
</strong></em></div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
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		<title>Hora do café</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 08:42:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção Verdadeira]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[sinceridade]]></category>

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		<description><![CDATA[- Um café, por favor. E corrigiu: - Um expresso! Escolheu uma das mesinhas vazias, sentou-se mal e mal na banqueta. Sentia-se incomodado sobre aquela torre balançante, a base fina simplesmente não lhe inspirava confiança. Mantinha o pé esquerdo no chão, por via das dúvidas. Tirou da pasta que trazia a tiracolo um jornal muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Um café, por favor.</p>
<p>E corrigiu:</p>
<p>- Um expresso!</p>
<p>Escolheu uma das mesinhas vazias, sentou-se mal e mal na banqueta. Sentia-se incomodado sobre aquela torre balançante, a base fina simplesmente não lhe inspirava confiança. Mantinha o pé esquerdo no chão, por via das dúvidas.<br />
Tirou da pasta que trazia a tiracolo um jornal muito dobrado e pôs-se a ler, cotovelo apoiado na mesa, queixo apoiado na mão, resmungando qualquer coisa de tempos em tempos. O café chegou. Ele agradeceu a moça que trouxe e voltou a atenção para o jornal. Sem tirar os olhos da folha, sacou do bolso da camisa um maço de cigarros, tirou um com a boca e, enquanto tateava as calças em busca do isqueiro, cruzou olhares com uma garçonete mais velha, que parecia ser responsável pelo lugar. Com o cigarro pendendo no canto da boca, fez cara de criança surpreendida no meio de qualquer arte. Perguntou, sem-jeito:</p>
<p>- Não pode, né?</p>
<p>Ela meneou a cabeça, ainda mais sem-jeito, talvez por ter que negar a um cliente um prazer que não incomodaria ninguém – o lugar estava praticamente vazio, havia apenas um casal numa mesa suficientemente afastada, que sequer parecia notar a presença do homem, e uma moça, também distante, que o observava com certa ansiedade.</p>
<p>- Não pode, moço, tem aquela lei que proíbe. Eu também fico doida por um cigarrinho entre um café e outro, mas fazer o quê? Se aparecer um fiscal aqui, é multa na hora.</p>
<p>Sorriram um para o outro com ar tristonho, como quem identifica um cúmplice que cumpre pena na cela ao lado. Ela voltou ao que quer que estivesse fazendo, ele deixou de procurar o isqueiro. O cigarro permaneceu na boca, como estava, apagado, meio caído, ameaçando jogar-se no café. Qual suicida que, diante da impossibilidade de cumprir seu destino, preferisse morrer.<br />
A moça, aquela que o analisava ansiosamente à distância, veio até ele. Chegando por trás, disse com uma voz que destilava o venenoso desprezo da mulher traída:</p>
<p>- Olha só quem resolveu aparecer!</p>
<p>Ele a olhou com surpresa. O cigarro efetivamente caiu, errou o café por pouco. Nenhum dos dois se deu conta do fato.</p>
<p>- Nossa, você por aqui! Quanto tempo! &#8211; e imediatamente repreendeu-se, pensando “Será que não tinha nada pior para dizer?”. Um segundo depois, entretanto, pareceu lembrar-se de todo o relacionamento que tiveram – das discussões, em particular. Seu rosto tomou um certo ar de segurança e enfado. O dela permaneceu fuzilando-o.<br />
- Ai, que lindo! Ele é irônico! Quanto tempo, como vai você?</p>
<p>Falou como quem encontra um grande amigo, perdido há eras. Ele achou por bem ignorar o tom sarcástico da voz dela, na tentativa de conduzir o papo para outra situação além da que se avizinhava, potencialmente catastrófica:</p>
<p>- Eu vou bem, obrigado. E você?</p>
<p>Não deu certo. Ela permaneceu séria, falando gravemente, salivando fel:</p>
<p>- É mesmo muita cara-de-pau da sua parte falar comigo como se não tivesse acontecido nada!</p>
<p>Olhou em volta, buscando ajuda. Não havia ninguém, teria que se defender sozinho. Ela continuou.</p>
<p>- Você não teve a decência de me ligar!<br />
- E por que eu teria que te ligar?<br />
- Não me surpreende que você não saiba.</p>
<p>Esse ataque ferino aos seus conhecimentos das normas de interação com membros do sexo oposto – cartilha que já deveria ter sido escrita há eras, embora seja pouco provável que alguém a seguisse, visto que as variáveis são elevadas à enésima potência – tornou-o subitamente ofendido, acabando com seu ar simpático e jogando-o numa posição de contra-ataque:</p>
<p>- Foi você que terminou comigo!<br />
- Por isso mesmo!</p>
<p>Coçou a testa, reprimiu um palavrão que chegou a sair pela metade: …taqueopariu! Para ele, aquilo não tinha muita lógica. Considerava que o dispensado não deveria tornar a ligar, essa era uma obrigação do dispensante, quer por caridade, quer por vaidade (a fim de verificar o estrago causado por sua decisão). Ela, entretanto, seguia outro tipo de regra:</p>
<p>- E você não foi homem suficiente pra aceitar.<br />
- Como assim, não aceitei? Aceitei perfeitamente bem. Você disse “fim”, eu pensei “certo, então é o fim”. Toquei a vida.<br />
- Você entrou em ne-ga-ção! &#8211; falou sílaba por sílaba em tom de voz elevado, como se ele fosse surdo. Ou idiota. Ou um idiota surdo. Ele finalmente largou o jornal sobre o mármore frio da mesinha, aborrecido. O café esfriava. O cigarro da boca fora para a mesa, daí rolara para o colo dele, donde fora para o chão, pela perna esquerda estendida.<br />
- Não foi ne-ga-ção, foi a-cei-ta-ção.<br />
- E meus e-mails? Você recebeu?<br />
- Lógico que recebi.</p>
<p>Os olhos dela encheram-se de lágrimas. Disse com voz irritada e chorosa:</p>
<p>- E por que nunca respondeu?<br />
- Você disse claramente em todos eles que não queria que eu respondesse!<br />
- Mas você não entende nada? É incapaz de captar uma mensagem? Isso não era motivo para você ficar em silêncio!</p>
<p>Ele baixou a cabeça, correu as mãos pelos cabelos. Depois de seis meses de término, de paz, de distância e tranqüilidade, ali estavam os dois, em plena sessão de descarrego. Ele odiava sessões de descarrego, ela parecia adorar. Perguntou, como quem pede piedade:</p>
<p>- O que você quer de mim, afinal?<br />
- Minhas cartas.<br />
- Quer que eu devolva suas cartas?<br />
- Não seja idiota! Quero saber se você recebeu!<br />
- Ah! Também recebi.<br />
- E leu?<br />
- Li.<br />
- Leu todas?<br />
- Sim, li todas as suas cartas. Todas, todas.<br />
- Do começ…<br />
- Do começo ao fim!<br />
- E não vai dizer nada sobre o que eu escrevi pra você, as coisas que eu disse, minhas razões pra desistir da gente? Não vai me deixar saber o que você achou?<br />
- Parafraseando Roberto Carlos:<br />
- O cantor?<br />
- O cantor.</p>
<p>O olhar dela se acendeu com esperança. Ele, sempre tão insensível, estava na iminência de dizer algo realmente romântico, talvez até melodioso. Ele respirou fundo, soltou o ar lentamente, olhou-a nos olhos e, munido de toda sinceridade, soltou:</p>
<p>- Ri muito, bicho.</p>
<p>Ela ficou em silêncio por dez segundos. Dez segundos que duraram meia-hora. Uma hora. Quarenta dias e quarenta noites. Ficaram assim, olhos fixos um no outro. Ela, com toda a delicadeza de sua natureza feminina, esticou a mão, pegou a xícara de café e derramou no colo dele, que, temendo uma queimadura, assustou-se, quase caindo da banqueta (salvou-o a perna esquerda, firme no chão). À toa, porém: o líquido esfriara.<br />
Entre os dentes, querendo chorar, querendo gritar, querendo arrancar os cabelos &#8211; dela e dele -, ela sussurrou:</p>
<p>- E não volte a me procurar!</p>
<p>Ele ficou ali, enquanto ela se afastava pisando com força. Finalmente deu-se conta da ausência do cigarro na boca. Pegou outro, sequer pensou em procurar o primeiro. Olhou de novo para a garçonete.<br />
Ela se aproximou, sacou um isqueiro e acendeu o cigarro dele, usando-o em seguida para acender o seu. Soprou ruidosamente a fumaça do primeiro trago, olhou para a moça que sumia à distância, depois novamente para ele:</p>
<p>- Mulher é tudo louca, né?</p>
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