Lições do papai

3. February. 2009 por Thiago  

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Nunca pensei que uma memória relacionada ao meu pai pudesse definir tanto meu comportamento com as mulheres. Acho que o ano era 1986. Ele adorava carros e minhas lembranças dele se confundem até hoje com os carangos que possuiu: os dois pumas Spider (amarelo e vermelho), o Dodge Charge RT, o Chevette cinza e o Santana vinho. Esse último foi, provavelmente, o único que ele havia comprado zero km e estava tirando aquela onda de coroa no carrão. Eu adorava aquele carro, aliás, toda a família. Saímos para almoçar, os quatro como sempre. Picanha no bar 810, maravilha! Porém no caminho, na esquina da Rua das Rosas, quando meu pai parou no sinal, o carro da frente veio dando ré devagarzinho e… cataplau! Silêncio de alguns segundos até que minha mãe estressada, viu através do vidro que era uma mulher que conduzia o carro “culpado”- Essa mulher é louca! – berrou olhando para meu pai com uma entonação de quem pede providências. Meu irmão e eu estávamos apreensivos, como crianças perdidas. Desce do carro a tal mulher, loira, de vestido solto no corpo até os joelhos, seios empinados, linda e nervosíssima. “Me desculpe senhor… ai… é que eu sou inexperiente e não vi… ai… me desculpa…” Meu pai nem saiu do carro para ver o dano. Olhou para ela e disse que “não era nada não”. Que poder! Até aquela data, qualquer um: filho, esposa, amigos, qualquer um que sequer arranhasse aquele carro seria partido em mil pedaços pelo meu coroa. Aquela mulher loira, de vestido solto no corpo até os joelhos, seios empinados, linda e nervosíssima poderia dominar o mundo. Foi a maior demonstração de poder que eu presenciara até então.

Enfim, toda a minha vida com o sexo oposto parece estar ligada a essa memória. Basta um sorriso, um decote, um beijo no canto da boca quando me cumprimentam despropositadamente, um shortinho no verão do Rio, um olhar desviado, a nuca descoberta, roupa de academia, enfim, qualquer coisa que elas façam tem o poder de me deixar embasbacado. O carro do papai foi a pedra fundamental da minha deliciosa escravidão aos caprichos das mulheres. Um brinde ao papai!

Dando as cartas sem piedade

16. January. 2009 por O Observador  

Grigoriy Yefimovich Rasputin, um cara impiedoso
Como se conheceram? Dizia ela que já o conhecia. Afirmava que já o vinha cobiçando há muito tempo, desde os tempos de baladas da faculdade. A fama dele era irretocável, as garotas da faculdade faziam de tudo para ter alguma coisa com ele, o que não era nada fácil. Ele gostava de um bom papo, tinha bom gosto, era seletivo e transava com quem queria. Tudo dependia exclusivamente dele “querer” e não delas. Isso vinha desde o tempo de escola, era na verdade da raça “Observador”. Conhecia as mulheres como ninguém e sabia a hora certa de abordar uma mulher.
Mas quem passou a observá-lo foi ela. Loira de olhos claros e estonteante. Elegante, sabia como se produzir, desde o sapato até a lingerie. Falava bem e era muito convincente nas suas opiniões. Gostava de passar pelos corredores da faculdade jogando charme para os meninos. Parava o trânsito literalmente. As meninas a achavam vulgar, esnobe e com pinta de vagabunda, coisas de dor de cotovelo de mulher. Ela podia.
Até um dia em que a “Sra. Encruzilhada” os colocou estudando lado a lado. Não sei ao certo quem decidiu falar com quem. No primeiro contato ele demonstrou toda a sua experiência na arte da sedução. Ela por sua vez esbanjou sensualidade.
Em pouco tempo os dois eram um só. Eventos, festas, baladas, viagens … tudo era feito em conjunto, era um casal invejável. Na cama então … faziam de tudo: transavam, trepavam, faziam amor … ele comia ela e ela comia ele – isso para não discriminar nenhum dos nossos leitores, afinal de contas uns transam, outros trepam, alguns fazem amor ou comem … enfim papos para horas. Era fogo no palheiro e não precisava muito, teve uma vez numa festa junina, num sitio de um conhecido, lá pelas tantas da madrugada, em meio à neblina que se formou, ele fez questão de transar com ela no meio da quadra de tênis.
Parecia que ela o havia laçado de vez, o cara mais cobiçado da faculdade. Quando passavam pelos corredores ela era fuzilada pelas concorrentes. Ele, por sua vez, deixou de exercer o seu direito de novas conquistas e tudo demonstrava que seria definitivo. Era incomum ver um macho de tão nobre estirpe, ser dominado tão facilmente. Frente às amigas ela se vangloriava de tê-lo conquistado. O que ele achava? Para ele estava tudo bem, estava curtindo e saboreando todos os momentos. Os amigos que o tinham como parâmetro – como eu – não entendiam muito bem a situação, mas respeitavam a sua decisão.
Porém, o retorno de sua ex-namorada dos EUA, ia colocar as coisas em seus devidos lugares. Na verdade ele estava pouco ligando pelo retorno dela. Mas a Sra. Exuberante fez da situação um verdadeiro “tsunami” e ele passou a viver o inferno na terra.
As mesmas perguntas passaram a ser feitas todos os dias, depois de manhã e noite, em seguida de manhã, de tarde e de noite, e até quando estavam transando. A criatividade dela em elaborar novas questões em cima das mesmas questões era digna de alta insanidade:

“Como você soube que ela voltou?
Quem te contou quando ela voltou?
Ela te ligou?
Ela foi te ver?
Ela te procurou?
Você a procurou?
Você falou com ela?
Você ligou para ela?
Você esteve com ela?
Você pensou em vê-la?
Vocês estiveram juntos?
Você não esteve com ela?
Você pensou em ligar para ela?
Você pensou em procurar por ela?
E ela, será que ela vai te procurar? Te ligar? Te ver? Será que ela quer transar com você?”

E mesmo recebendo negativas ela sentenciou como “Sra. da Situação”: “Olha aqui, você vai ter que escolher entre eu e ela!? E quando você decidir você me procura.” Realmente ela teve um surto. Alguns acham que ela enlouqueceu. Mas não adiantava falar com ela, não adiantava argumentar com ela, não adiantava sugerir ou aconselhar, não adiantava nada. Ela estava irredutível na sua decisão.
Na verdade ela não imaginava o que estava fazendo e com quem estava lidando. Para quem assistia a tudo, do lado de fora, percebeu que ela estava “cutucando a onça com palito de sorvete”. Ele, por sua vez, estava impassível, era avesso a novela mexicana e diante da situação apenas disse: “É isso que você quer? Então ok, eu vou decidir”.
O tempo passou. Ele evitava tocar no assunto, não saia com os amigos e decidiu apenas “observar”. Ela por sua vez dizia que sabia qual seria a decisão dele, falava abertamente que ele ia escolher ficar com ela. Ele continuava a “observar”, na espreita, nas sombras … Ele e seus pensamentos. Ela certa da resposta.
O tempo passou.
Alguma coisa estava para acontecer, tudo por causa de conversinhas que davam conta que ele havia tomado uma decisão. Definitiva é claro, como todas as que ele tomava. Criou-se uma expectativa em torno dessa situação que há tempos não se via. Quem lançou? Ninguém sabia dizer com precisão. Se o intuito era alcançar a Sra. Toda Poderosa, deu certo. E quem o conhecia sabia que ele não dava ponto sem nó.
O tempo parou.
Como de costume lá estava ele, na lanchonete da faculdade, fazendo um lanche. Parecia ter sido combinado. Por uma das portas ela entrou e propositalmente se colocou num balcão de frente para ele. Alguns tiveram o prazer de assistir. Ele não mexeu um dedo, somente levantou os olhos por cima dos óculos escuros. Os olhares se cruzaram. Ele simplesmente voltou a saborear seu lanche. Insatisfeita e com ar de ansiedade ela pegou suas coisas do balcão e a passos rápidos se colocou ao lado dele.
Com ar de soberba começou a falar: “Oi tudo bem?”. Ela já imaginava desfrutar dos beijos dele, de sua companhia, das transas loucas e calorosas… O coração dela parecia que ia sair pela boca, parecia que ia explodir e a mão transpirava mais que o de costume. Enquanto ele se mantinha imóvel ela continuou a falar: “Me disseram que você tomou uma decisão sobre nós… é verdade?” A última palavra quase não saiu.
“É verdade, tomei sim”. Uma onda de calor tomou o corpo dela enquanto ele se virava para olhá-la bem nos olhos.
O tempo continuava estático.
“Eu não vou ficar nem com você, nem com ela”. Sua voz grave ecoou. Ele não gritou e não falou alto. Seus olhos pareciam em chamas e as palavras pareceram sair entre ranger de dentes. Foi um verdadeiro soco no estomago. Ela não tinha como reagir e não reagiu. Ele não se despediu, pegou suas coisas e saiu da lanchonete. Do lado de fora uma morena sensacional o aguardava, beijou-a na boca, voltou-se para trás, olhou-a novamente por cima dos óculos e acenou se despedindo.
O tempo voltou a correr.
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Não basta só “observar”, além de “observar” é preciso sangue frio e saber agir.
Nunca tenha piedade.

Sexo com amor

23. December. 2008 por Eduardo S  

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Conforme meus amigos e eu vamos ficando mais velhos, mais freqüentemente tenho escutado a frase “Ah, meus 20 anos”. Confesso que nunca entendi esse clima de saudosismo. Hoje tenho uma vida muito melhor e como muito mais gente do que naquele período. Então, do que eles têm tanta saudade?

Outro dia mesmo, num papo desses, puxado no boteco, junto com uma molecada mais nova, me lembrei de uma história dos meus 20 anos e da qual não me orgulho em nada. Para mim, ela é o exemplo perfeito que não adianta estarmos no ápice da forma física, sem a técnica e a tática necessárias. Entre uma cerveja e outra, contei como conheci uma garota chamada Cinthia, num encontro de estudantes. Essas ocasiões só existiam para mim com duas finalidades: viajar por preços módicos e pegação (não necessariamente nessa ordem). Na época tinha até um lema, “Conheça o Brasil com o movimento estudantil”.

- Naquela viagem para Belo Horizonte, fui surpreendido logo na chegada. Cara, não tenho frescura alguma com alojamentos, mas esse era um puta lugar, muito acima da média das salas de aula em que eu costumava dormir. Na hora até tive vontade de ligar para a namorada e falar como eu gostaria que ela estivesse ali para curtir aquele lugar comigo. Como bom filho da puta, acabei não telefonando e saindo para o bar que ficava anexo ao prédio.

Dentre várias candidatas a ‘Miss Delícia’ do encontro, elegi a ruivinha. Olhos verdes, decote mostrando as sardinhas nos seios e uma boca carnuda, que me deixou maluco desde o momento que a vi. Era a Cinthia. Ela estava sozinha no balcão, disse que esperava uma amiga que estava preparando uma oficina de surto artístico (?!?!).

Quando ela me contou aquilo, não contive o riso. Mas ao invés de se ofender pela amiga, ela apenas comentou “oficineiros não pagam o encontro”, também sorrindo. Era o sinal que eu precisava. Dali em diante a aproximação ficou bem mais fácil. Só que para o meu azar, a tal amiga chegou em seguida e ela teve que acompanhá-la. Tentei convencê-la de todas as formas a ficar mais tempo. Mas ela acabou me dando só um beijo e o telefone, dizendo “me liga amanhã”.

“Porra, que gala fraca”, disse o Abel, que estava comigo no bar. Tive que concordar com ele e adiantar que o pior estava por vir.

- Cara, passei o dia seguinte inteiro desconcertado, desconcentrado, sei lá, com a cabeça naquela mulher. Se normalmente eu já cagava solenemente pras palestras e reuniões da executiva, naquele dia então, nem se fala. Cheguei a cogitar ir na tal oficina, mas a pouca vergonha que eu ainda tinha e a cachaça com a galera me impediram.

De noite liguei, claro. Assim que ela atendeu, disse “Vamos nos encontrar”. Nem era uma pergunta, afirmei mesmo, com uma convicção que ela comentou que era muito interessante. Cara, fiquei com ela e foi sensacional. A mulher era gata, divertida, inteligente.

“Era a mulher perfeita!”, retrucou o Geraldo, debochando como de hábito.

- Claro que não. Não era perfeita. Sabe qual era o defeito? Bem grave: era pudica demais. Travada. Freio de mão puxado! Sabe por quê? No meio da madrugada, chapados, a gente foi até o alojamento dela e ficamos de amassos. A coisa foi esquentando, esquentando e ela, de repente, levanta e fala, com cara de assustada: “Você é ótimo, mas eu não acredito em sexo sem amor!”.

Ora, eu não ia perder a piada, aí respondi: “MAS EU TE AMO, GATA!”.

“Boa! Aí ela te deu!?”, perguntaram todos, com certeza que a resposta seria sim.

- Cara, acredita que ela se enfezou, me mandou embora e nunca mais falou comigo?

- Porra, que mal humorada!

 

Como ser Homem – O uso da palavra “maravilhoso” por homens heterossexuais

19. December. 2008 por Salomão Valadão  

Por saber que muitos dos leitores e leitoras deste site não têm o hábito de ler os comentários, copio aqui, com pequenas adaptações, um deles feito por mim no artigo “Como reconhecer uma roubada“, de Jaime Alves. Aproveito a oportunidade para dar início a uma série de artigos entitulada “Como ser Homem”, para ser incluída em uma categoria a ser criada denominada “Heterossexualidade Básica”.

O uso da palavra “MARAVILHOSO” por homens heterossexuais.

A palavra maravilhoso é a mais importante das chamadas “palavras reveladoras”. São palavras que podem dizer muito mais de quem está falando do que palavras comuns. Outros exemplos de palavras reveladoras são “buffet”, “querida”, “Paris”, “jamais”, “divino”, entre outras, mas nenhuma delas tem a força da palavra “maravilhoso”. Houve uma vertente que defendia a palavra “horroroso” como tão ou mais importante que “maravilhoso”, mas estudos mais aprofundados situaram “horroroso” em segundo lugar, de longe!

O negócio é bem simples: há apenas 3 regras básicas para usar a palavra “maravilhoso”, mas é preciso tomar cuidado com as exceções da primeira regra. Vamos a elas:

1 – Evite usar a palavra o máximo possível.

  • 1.a – Exceções:
    • 1.a.a) Quando se referir a mulheres e partes de seus corpos. Ex.: “A Fernanda é maravilhosa!”, ou “A bunda da Fernanda é maravilhosa!”, ou ainda “Os peitos da Fernanda são maravilhosos!”.
      • 1.a.a.a) Exceção da exceção: as partes maravilhosas da mulher não podem ser unhas ou cabelos;
    • 1.a.b) Quando se referir a instrumentos musicais. Ex.: “A Fender Stratocaster é maravilhosa!”;
    • 1.a.c) Quando se referir a lances e jogadas esportivas. Ex.: “A bicicleta do Romário foi maravilhosa!”, ou “O passe do Edmundo pro Rogério foi maravilhoso!”.
    • 1.a.d) Para puxar o saco da sogra ou da mãe da mulher que você quer comer. Ex.: “Dona Felisberta, este creme de aspargos está maravilhoso!”.

2 – Nunca pronuncie a palavra em questão separando as sílabas e frisando cada uma delas.

  • Exemplos: “A Fernanda é MA-RA-VI-LHO-SA!” ou “Dona Felisberta, este creme de aspargos está MA-RA-VI-LHO-SO!” ou ainda “O passe do Edmundo pro Rogério foi MA-RA-VI-LHO-SO”

3 – E nunca, em hipótese alguma, use a palavra em questão referindo-se a espécimes humanos do gênero masculino.

  • Exemplos: “O Cláudio Adão foi um jogador maravilhoso” ou “O George Clooney é um ator maravilhoso” ou “Você é um amigo maravilhoso” ou ainda “… um sem fim de exemplos de homens maravilhosos”.

Colonialismo

16. December. 2008 por Pedro Nunes  

Arquivado em Ficção Verdadeira

- Escuta, não é hoje o aniversário daquela mina lá, não?
- Existem muitas “minas”, meu ambíguo camarada. A qual te referes?
- Àquela que você disse que tava “namorando”.
- Falas da esfuziante Cristina, obscuro amigo?
- Essa aí!
- Deixe-me esclarecer que sua tentativa de implicar que minhas informações sobre o namoro eram meramente devaneios são grosseiras, para dizer o mínimo! Estamos namorando de fato!
- Não estamos nada!
- Dizia de mim e dela, caro galhofeiro!
- Tá, tanto faz. Não é hoje o aniversário da guria?
- Sua informação é verdadeira, ó, bem-informado colega.
- E você tá aqui, nesse boteco, comigo, fazendo o quê?
- Ora! Degustando esta deliciosa bebida produzida a partir da fermentação de cereais maltados, obtuso comparsa.
- Você entendeu! Aniversário da sua menina e você aqui, comigo, em vez de estar com ela?
- Não entendo sua estupefação, meu pasmo parceiro.
- Não entende? Você compreende que uma das diretrizes mais básicas do implícito contrato de mutualidade conhecido como “namoro” diz que os aniversários devem ser passados JUNTOS?
- Você me decepciona, meu tacanho amigo!
- Imagino o quanto…
- Permita-me ilustrar melhor a situação para seu simplório conhecimento, atônito rapaz. Estudaste história?
- É claro que sim.
- Pense, então, em termos de colonialismo europeu. Nós, homens, somos as pequenas metrópoles européias: desenvolvidas, civilizadas, refinadas, porém limitadas.
- Sei.
- As mulheres, por outro lado, são os continentes desconhecidos. Vastos, belos, de abundantes riquezas, as mais variadas e sedutoras possíveis. São, entretanto, incivilizadas, indômitas e, por vezes, assustadoras.
- Tô entendendo.
- Agora imagine nossas tentativas de aproximação como as antigas naus espanholas e portuguesas dos séculos XVI e XVII tentando cruzar o oceano infinito à procura de bens necessários. Nossa conversa sendo a embarcação. É preciso deixá-la ágil, embora bem suprida. Deixá-la forte, mas com alguma fragilidade. Assim ela parte, segura diante do olho destreinado, mas claramente instável para os entendidos do assunto. Lançamo-las ao mar na esperança de chegar em terra e, na maior parte das vezes, naufragamos. Temos sucesso de vez em quando, porquanto somos exaustivamente insistentes.
- “Porquanto” é foda, haja prolixidade!
- Deixe-me com meu belo vocabulário! Como dizia, conquistamos, então, a tão sonhada colônia. Nossa primeira atitude é livrá-la de seus habitantes incivilizados e de hábitos pouco cristãos, por isso proibimos nossas namoradas de usar roupas curtas, freqüentar eventos onde reina a devassidão e a promiscuidade, coisas assim.
- Certo.
- A partir daí atraímos a confiança da população restante com badulaques e bugigangas de pouco valor, porém chamativas. Espelhinhos, colares e outras manufaturas de baixo custo. Distraímos sua atenção enquanto são evangelizados e submetidos à nossa vasta cultura.
- Verdade.
- Por fim, afastamos os possíveis invasores e declaramos nossa hegemonia sobre o território.
- Saquei.
- Até esse ponto, já sondamos todo o terreno, logicamente. Conhecemos suas reentrâncias, falhas geológicas e clima bem o suficiente para podermos trafegar por ali com relativa segurança.
- Fato.
- Começamos a explorar suas matérias-primas…
- Tá falando das filhas das tias delas?
- Não, meu confuso camarada. Falo de seus favores únicos, das coisas as quais, apesar de todo nosso avanço, não temos como nos auto-suprir, compreende?
- Ah, sim. Os chupiscos, as trepadas e tal.
- Sua falta de tato me constrange, caro troglodita, mas folgo em notar que entendes sutilezas.
- Certo. E depois?
- Depois apresentamos nosso novo território para as metrópoles aliadas. Damos aos dois a liberdade de estabelecer comércio apenas por nosso intermédio. O acesso irrestrito é nosso e somente nosso.
- Justo. E então?
- Bom, nesse ponto somos os senhores do castelo. Nossos soldados estão por ali, cuidando do território e prevenindo insurreições. Tudo o que temos a fazer é, como os monarcas que somos, deixar claro que, apesar da distância, estamos cientes de tudo o que se passa, ainda que não estejamos de fato.
- Só pra não fugir desse teu paralelo maluco, ficar com a sua namorada no aniversário dela não seria uma maneira de deixar claro que o imperador e as legiões estão bem, quero dizer, que a metrópole está atenta ao que se passa na colônia?
- Você se adianta, meu célere ouvinte. Quando nossa supremacia está finalmente estabelecida, temos que partir para novas terras. Ampliar o território. É possível tentar anexar áreas próximas, indo atrás de parentes e amigas delas, mas sabe-se que conflitos entre habitantes locais tornam quase impossível o sucesso em tal empreitada. O ideal é lançar ao mar as caravelas e aportar em novos costados.
- Ok. E em que ponto você está?
- Exatamente neste. No momento espero que minha nova colônia apareça. Meus navios já têm as velas enfunadas e as âncoras recolhidas. Só me falta estabelecer a rota.
- Hm.
- Estou considerando tomar posse dos territórios claudianos.
- Cara, fala que nem gente, pelo amor de deus!
- Meu desmemoriado aprendiz, lembra-se da Claudinha, aquela mui simpática senhorita que trabalha na videolocadora perto da minha casa? Então. Soube que ela costuma freqüentar este pândego ambiente onde, agora, nos encontramos.
- Ah, sei. Mas acho que não é só ela, não.
- Como assim?
- Olha ali a Cristina chegando com um sujeito.
- Mas hein?!
- Pois é.
- Porra, o que esse cretino tá fazendo com a minha namorada?
- A mim faz parecer, estimado, atraiçoado, acornalhado camarada, que sua colônia encontrou um líder rebelde capaz de livrá-la do cruel jugo monárquico. Devo informá-lo que seus súditos, esta noite, estabelecerão comércio com outros mercados. Hurra! A Revolução triunfou! Bebamos a isso! Garçom, traz mais uma!
- Bah.
- E você fica chato pra caralho quando bebe, diga-se de passagem.

Para os desafetos de plantão

15. December. 2008 por Yuri  

Arquivado em Malucas, Verdades

Quem nunca se pegou naquela situação bizarra de começar a sair com uma mulher e ter um psicopata ou uma louca no seu encalço por conta disso? As situações são várias, indo daquele antigo namorado ciumento a aquela ex sua em um repentino acesso de obsessão fatal. Mas não interessa, né? Em nenhum dos casos isso é bacana, mesmo se sua nova gata valer cada segundo do perrengue proporcionado por esses Kinder Ovos com Surpresa Macabra.

(ou você já sabia onde estava pisando quando começou sua nova investida? Ihhh…)

Às vezes essas malas-sem-alça precisam entender umas verdades. Que nem aquele japa maluco que ficou isolado em uma ilha durante a guerra e por isso não sabe que a parada já acabou faz tempo, é hora destes encararem a realidade. Se o lance anterior já acabou – e se os exemplos acima servem, é porque não foi bem você, alvo dessa picuinha maldita de outrem, quem vacilou na história) a parada é fazer que nem aquele aluno que não é nem o comedor de giz da frente da sala e nem o zoneiro lá do fundão: aprenda com seus erros e não os repita. Afinal de contas, a chance de seu relacionamento anterior ter ido pra Spica por conta de seus vacilos é beeeem grande…

(Sério, aprenda mesmo, porque lidar com vocês é chato pra caralho. Ô racinha.)

Como reconhecer uma roubada.

12. December. 2008 por Jaime Alves  

Arquivado em Malucas, Verdades

Para um bom observador, são muitos sinais os quais indicam que uma mulher é uma roubada. Antigamente, você só poderia enxergar esses sinais após interagir por um tempo com a dita-cuja e, em muitos casos já seria tarde demais quando você obtivesse essa informação, pois as suas bolas já estariam estariam no comando e o fato dela escrever cartas usando sangue de pombos não lhe pareceria tão estranho.

Tenho 32 gatos, sou estudante de Psicologia, fui uma grande imperatriz
bizantina na minhavida passada  e sou Wicca desde criancinha!”

Mas graças aos avanços da cibernética e da oftalmologia gástrica, temos várias ferramentas de interação social a nossa disposição para uma pré-pesquisa, como o nosso bem conhecido Orkut, por exemplo.

Visitar o perfil da moça, ver suas fotos, ler os seus recados e testemunhos não lhe falam muita coisa, pois são informações que não lhe contam muito sobre ela e, pois quase sempre é apenas lista de elogios genéricos e babações de ovo.

O verdadeiro ouro se encontra nas comunidades que ela adicionou ao seu perfil. É lá que você encontrará pistas sobre o quão maluca é a guria que você deseja “conhecer” melhor.

Para facilitar a sua vida, essas comunidades são grandes sinalizadores de futuros problemas:

  • Clarice Lispector
  • Psicologia
  • Gatos
  • Ecologia
  • Vidas Passadas
  • Espiritualismo
  • Cachorros e gatos de rua
  • Adote um Gatinho
  • Filhos de Gaia
  • Amigos dos Animais
  • Magos e Druidas
  • Wicca and Witchcraft
  • PETA
  • Clube do Gato do Brasil
  • Eu odeio galinhas!
  • Anjos
  • Vidas Passadas
  • Os bichos têm alma?

Se a sua desejada faz parte de pelo menos três delas, sugiro a você diminuir seus esforços, pois essa ai, filhão, leva a sério o lance de ser maluca e você corre o risco de acordar no meio da noite com os seus genitais decepados dentro da sua boca!

P.S.: A foto da moça acima é apenas para ilustrar o quão dificíl seria o embate entre o desejo e a sapiência! Não sei nada sobre ela, apenas sei que é um fake do orkut.  Acabei encontrando um fotolog como um monte de fotos da moça. Se alguém se interessar, peça nos comentários e eu o publicarei lá.

Aprenda a comer quieto!

11. December. 2008 por Eduardo S  

Arquivado em Ficção Verdadeira

- Tu viu o jogo da Sharapova?

- Vi, ganhou de uma croata, acho que era croata… ela tá meio gorda, nem vi o jogo todo.

- Mas ela grita gostoso, imagina fodendo!

- Hum, verdade, hein. Falando “me come todinha, em russo”, deve ser um tesão!

- Tu já comeu gringa?

- Não, a mais gringa que eu comi foi uma menina de Roraima, num carnaval em Porto Seguro. Também comi uma menina que morou nos Estados Unidos, em Boston acho, mas aí não vale, né? Era brasileira.

- Brasileira que morou em Boston? Seu viado, tu comeu a minha irmã?! Nunca me falou!

- Pô cara, foi mal, achei que tu sabia. Todo mundo… quer dizer, deixa pra lá.

- Todo mundo sabia?

- Não… todo mundo comeu…

- Ah, porra, fala sério! Tá de saca com a minha cara!

- Não, porra, tô falando sério, ela já deu pra mim, pro Wilsinho, pro Russo, pro Róbson, pro Leandro…

- Caralho, não é possível, eu até desconfiava do Russo e do Leandro, mas ela já deu até pro Róbson! Tu tá de sacanagem com a minha cara!

- Tô não, maluco, sério mermo.

- Porra… e eu que achei que sabia comer quieto…

- Cara, comer quieto quem? Do pessoal, todo mundo sabe quem comeu quem, tu acha que é mais malandro que os outros?

- Não cara, é que eu sou discreto, sei fazer as coisas na encolha, já comi umas meninas aí que agora tão namorando…

- Ah, porra, tu acha que eu não sei? Tu já comeu a Fernanda, a Elisa, a Marcela, a Tina… aliás, você e todos nós!

- Sério? Todo mundo já comeu?

- Todo mundo! Comemos elas e a sua irmã!

- Caraio…

Homens que (se) dobram para mulheres

10. December. 2008 por Yuri  

Antes de mais nada, deixa eu me apresentar, né? Eu me chamo Yuri, moro em uma das capitais do nosso Brasil varonil, e como meus convivas daqui curto as boas coisas da vida. Umas mais do que as outras, e quais eu prefiro vocês descobrem com o tempo – mas fica a dica que ótimas mulheres, boas bebidas e diversão garantida fazem meu mundo girar. Tem bem mais, mas fica pra próxima rodada.

Eu tava pensando uma parada esses dias… às vezes, eu queria ter algum tipo de habilidade artística. Não, eu nem tô falando de paradas como “a arte da cantada”, “aquela entre quatro paredes”… bora parar de sacanagem por um instante só que seja? Beleza. Na boa: eu queria mesmo era saber fazer origami. E nem precisava ser muito não, um só já estava maneiro: o do gato.

Ê, começou bem, hein?“, já ouço meus comparsas de site falando. Espera que eu explico: quase todo dia pego o metrô pro trabalho – claro, desconta aí aquele dia em que acordei atrasado pra cacete por causa da biritagem desgovernada na noite anterior, ou seja lá qual atividade madrugada adentro, e aí rola aquela pressa ferrada de pegar o primeiro transporte público pro trabalho – e sempre tem aquela gata que você tenta tirar o olho e nem consegue.

(hoje mesmo tinha uma que vou te contar, hein… magrinha – mas não demais – cabelo castanho quase claro, um bocão e dois olhões verdes… e aquela cara de ex-menina, saca? Daquelas que desviam o olhar se notam que estão sendo olhadas mais do que deveria…)

Enfim, é nessas horas que eu queria poder sacar um desses já prontos da bolsa (porque até parece que em um trem empanturrado de gente ia rolar de sacar um papel, começar a fazer dobraduras, e por aí vai), dar pra ela e esperar algo do tipo:

- Que que é isso?

- É uma gata, que nem você. 

E aí eu explicaria que eu só dou essa pra mulheres que mereçam muito, como se fosse um pequeno e singelo troféu. Aí se ela duvidasse e resolvesse me revistar, ela não acharia mais nenhum — óbvio que eu ia carregar poucos comigo, né? Quem vocês acham que eu sou, o mestre Miyagi?

Se bem que sei lá, hein? Na minha cabeça parecia muito melhor essa idéia toda dos origamis. Além de ser bem mais sutil do que, hã, um cartão de visitas com nome, sobrenome e telefone (vai que a gatinha do bocão do exemplo acima é uma stalker maluca?)… ou, ainda no reino das dobraduras, um aviãozinho de papel. Afinal, nem estamos mais no colégio – ainda bem, hein – e ainda periga pegar no nariz, orelha, ou — ó o vacilo supremo pintando – em um daqueles olhões lindos dela.

Aí, bicho, nem se tu for médico ou oftalmologista tu se salva.

Gata e rato

9. December. 2008 por Pedro Nunes  

Arquivado em Ficção Verdadeira

- Você sabe que eu gosto de você.

Ela o fitava com olhos lascivos, ouvindo tudo com a atenção desmedida que as mulheres dedicam aos homens quando estão interessadas em mais do que conversa.

- Gosta? – e por “gosta?” ela queria dizer “Mostre o quanto”.
- Claro que gosto. Eu já disse que gosto. Não disse?
- Não sei. Disse?
– e com isso ela queria dizer “Quero te ouvir repetir”.
- Disse. Disse, sim.
- Se você diz…
– e por “se você diz…” ela queria dizer “Seja mais enfático”.
- Digo: disse.
- Então você diz que disse.
– com isso ela queria dizer que ele poderia fazer bem melhor.
- Digo. E, se não disse, acabei de dizer. E digo de novo: eu gosto de você.
- Hm.

Esse “hm” não era um “hm” qualquer. Era um “hm” feminino. E “hm”’s femininos, como muitos outros grunhidos das mulheres, estão em uma categoria totalmente diferente de “hm”’s masculinos. Homens fazem “hm” simplesmente por preguiça de dizer “prossiga” ou para sinalizar que entenderam. Mulheres fazem “hm” por milhares de outras razões. Poder-se-ia escrever toda uma tese sobre o que esse “hm” queria dizer, mas seria dupla perda de tempo. Primeiro porque jamais chegaríamos a qualquer conclusão. Segundo porque perderíamos a seqüência do diálogo. Diremos apenas que o “hm” foi sugestivo e, por “sugestivo”, depreenda o leitor o que quiser.

- Você é inteligente.
- Sou?
– e com isso, mais uma vez, ela pedia a ele para se empenhar mais no que dizia.
- É. Inteligente. Muito, muito inteligente.
- Hmmm…
– esse foi mais longo, quase um ronronar. Com isso ela demonstrou clara satisfação.
- E nós nos damos bem.
- Eu também acho.
– leia-se: “Mas podemos nos dar melhor”.
- Nos damos muito bem.
- Concordo.
– e por “concordo” entenda-se “Estamos chegando onde eu quero”.
- Não tem como a gente se dar melhor que isso.
- Aí eu já discordo.
– e com isso ela quer dizer “Cale a boca e eu te mostro”.

Ela fechava o cerco.

- Então. A gente se dá muito, muito bem.
- Um-hum.
– e com isso ela quer dizer “Se você não fizer nada agora, eu faço”.
- Temos assunto em comum.
- Temos.
– essa resposta seca significando “Se eu quisesse ver rodeios, ia pra Barretos.”
- Conversa pra horas a fio.
- É.
– ou seja, “Cala a boca e beija logo!”.
- E você… bom, você é muito legal. Você sabe que eu te acho muito legal, não sabe?
- Acha?
– e por “acha” ela quer dizer “Posso ser bem mais legal que isso”.
- Claro que acho. Eu acabei de dizer que acho.
- É.
– e ela quer dizer “Vou te mostrar o quando eu sei ser legal…”
- Então.
- Então.
– ela se aproxima, querendo dizer “Finalmente”.
- Eu te disse tudo isso porque eu queria… bom… eu queria te dizer uma coisa importante.
- Diz.
– ela responde, num sussurro, e por “diz” ela quer dizer “Vai comer ou quer que embrulhe?”.
- Com tudo isso que a gente tem, que dá tão certo e tal…
- Hm.
– Esse foi um raro “hm” definível, um gemido de antecipação.
- Ainda acho importante frisar que acho que nossa relação deve ser não carnal.
- Não carnal?
– e com isso ela quer dizer “Mas… hein?”.
- Sim. E por “não carnal” eu quero dizer: TIRA A MÃO DA MINHA BUNDA, CARALHO!

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